Wednesday, February 27, 2008

 

Manhãs de Metro, as notas soltas

As cores, as cores eram verdes.
«Pois eram pretas»
Por entre as camisas aos quadrados, os casacos de fato de treino, os azuis, os encarnados, as calças pouco vincadas, as abertas, as curtas, as riscadas, por entre a floresta das cores há uma nota preta que se impõe como um meio tom no teclado das caras: o leitor de mp3.
Discreto, só se lhe vê as pontas auriculares nas orelhas, a entalar o cérebro entre ondas de som invisíveis para quem está de fora.
O olhar solta-se e voga para além da carruagem, para praias longe, para outros rostos.

Uma mãe leva o filho pela mão, pequeno, o cabelo muito lambido, a pastinha na mão cheia de brinquedos, que as folhas de papel só chegam um ano mais tarde e só entram às oito e meia.

Um homem de camisa de Verão aos quadrados abraça-se a si próprio porque o vento frio da corrente de ar da estação lhe lembra a solidão.

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