Tuesday, October 16, 2007
Crónicas de viagem do meu tio que se perdeu na América e cujo achamento se comemora no primeiro dia de Março de cada ano. O Miradouro.
Crónicas de viagem do meu tio que se perdeu na América e cujo achamento se comemora no primeiro dia de Março de cada ano.
Passa-se mais uma curva na estrada e antes da pequena subida que leva ao Miradouro da Alvorada lá está ele.
Redondo como só um sinal de proibição consegue ser, aparentado com o “sentido proibido” e com o “proibido a veículos de tracção animal” desenha-se encarnado e branco: “proibido usar óculos”.
Foi por isso, disse para mim, que tu quiseste que eu te trouxesse cá, para ver a vista como ela merece.
O meu tio sabe que sem óculos eu vejo a realidade de uma forma pouca habitual. Assim mais baça, mais escorregadia. Assim como se estivesse a tentar apanhar um leitão pintado de gordura ou o sabonete no chuveiro.
Lá parei o carro conforme pude.
É estranho, é o único sítio que eu conheço em que é proibido conduzir de óculos mas ninguém desobedece ao sinal.
Será por medo do Grande Guarda que se oculta no nevoeiro da mente e que espera pelos infractores como a Brigada de Trânsito escondida na sombra inocente de um chaparro na berma da estrada?
Ou será o Grande Guarda um mito urbano?
Fora do carro o vento alerta para a paisagem. Uiva-nos para dentro do casaco e aperta-nos o colarinho em arrepios de frio. Seja Verão ou Inverno a paisagem é sempre fria.
Lá em baixo um rio (ou será um grande lago?) com luzinhas a meio.
A meio e parece que do outro lado também. Já sei de experiências anteriores que aqueles borrões na distância são luzes.
O meu tio confirmou, eram mesmo luzes.
Antes, a meus pés, uma mata de carvalhos, ou seriam pinheiros, o meu tio não me respondeu quando lhe perguntei, deslizavam devagarinho para dentro do lago e iam molhar as raízes na água.
Bonito. O céu azul, ou cinzento arrefecia com clareza.
Voltámos para casa.
Depois da curva já pude voltar a pôr os óculos e tudo parecia estar no mesmo sítio.
O tio a meu lado começou a fingir que dormitava.
Passa-se mais uma curva na estrada e antes da pequena subida que leva ao Miradouro da Alvorada lá está ele.
Redondo como só um sinal de proibição consegue ser, aparentado com o “sentido proibido” e com o “proibido a veículos de tracção animal” desenha-se encarnado e branco: “proibido usar óculos”.
Foi por isso, disse para mim, que tu quiseste que eu te trouxesse cá, para ver a vista como ela merece.
O meu tio sabe que sem óculos eu vejo a realidade de uma forma pouca habitual. Assim mais baça, mais escorregadia. Assim como se estivesse a tentar apanhar um leitão pintado de gordura ou o sabonete no chuveiro.
Lá parei o carro conforme pude.
É estranho, é o único sítio que eu conheço em que é proibido conduzir de óculos mas ninguém desobedece ao sinal.
Será por medo do Grande Guarda que se oculta no nevoeiro da mente e que espera pelos infractores como a Brigada de Trânsito escondida na sombra inocente de um chaparro na berma da estrada?
Ou será o Grande Guarda um mito urbano?
Fora do carro o vento alerta para a paisagem. Uiva-nos para dentro do casaco e aperta-nos o colarinho em arrepios de frio. Seja Verão ou Inverno a paisagem é sempre fria.
Lá em baixo um rio (ou será um grande lago?) com luzinhas a meio.
A meio e parece que do outro lado também. Já sei de experiências anteriores que aqueles borrões na distância são luzes.
O meu tio confirmou, eram mesmo luzes.
Antes, a meus pés, uma mata de carvalhos, ou seriam pinheiros, o meu tio não me respondeu quando lhe perguntei, deslizavam devagarinho para dentro do lago e iam molhar as raízes na água.
Bonito. O céu azul, ou cinzento arrefecia com clareza.
Voltámos para casa.
Depois da curva já pude voltar a pôr os óculos e tudo parecia estar no mesmo sítio.
O tio a meu lado começou a fingir que dormitava.