Wednesday, September 13, 2006
As árvores da minha rua são lódãos
Vivi uma data de anos com elas sem lhes conhecer esse pequeno segredo. Eram as árvores. As que tiravam a vista do que se passava na Rua Ferreira Borges no Verão e a juncavam de folhas no Outono.
A certa altura do ano equipas de trabalhadores municipais mutilavam-nas horrivelmente por causa das pessoas que têm medo das árvores, para que não tenham medo daquelas criaturas grandes.
O Outono era o início da escola, os calções ficavam curtos de frio nas pernas (na altura só se usava calças de homem a partir da adolescência) e as folhas caídas juntavam-se em grandes bandos para dançar valsas de ventos cruzados nas esquinas. Rodopiavam, giravam, subiam. As pastas da escola a pesar na mão cruzávamos a floresta do baile rasteiro na ida e vinda infantil que as coisas que não voltam só as descobrimos mais tarde.
Eram as árvores, sabia lá que eram lódãos.
Foi em Fafe que descobri.
Não há lódãos em Fafe.
Havia choupos canadianos, magnólias, ameixieiras bravas, hibiscos, plátanos, lódãos é que não.
Mas há uma arte marcial, o jogo do pau.
E o pau é de lódão.
É a madeira que tem a resistência, a elasticidade, o peso certo para bater, receber pancadas, vergar, dançar com ela.
O lódão é, portanto, uma das coisas que voltam.
Só não parece.
A certa altura do ano equipas de trabalhadores municipais mutilavam-nas horrivelmente por causa das pessoas que têm medo das árvores, para que não tenham medo daquelas criaturas grandes.
O Outono era o início da escola, os calções ficavam curtos de frio nas pernas (na altura só se usava calças de homem a partir da adolescência) e as folhas caídas juntavam-se em grandes bandos para dançar valsas de ventos cruzados nas esquinas. Rodopiavam, giravam, subiam. As pastas da escola a pesar na mão cruzávamos a floresta do baile rasteiro na ida e vinda infantil que as coisas que não voltam só as descobrimos mais tarde.
Eram as árvores, sabia lá que eram lódãos.
Foi em Fafe que descobri.
Não há lódãos em Fafe.
Havia choupos canadianos, magnólias, ameixieiras bravas, hibiscos, plátanos, lódãos é que não.
Mas há uma arte marcial, o jogo do pau.
E o pau é de lódão.
É a madeira que tem a resistência, a elasticidade, o peso certo para bater, receber pancadas, vergar, dançar com ela.
O lódão é, portanto, uma das coisas que voltam.
Só não parece.