Thursday, September 14, 2006

 

A6 No Caminho do Oriente

Há no caminho do Oriente uma Auto-estrada, a A6, que leva das praias do pôr-do-sol a Évora e até mais além.

De vez em quando o rio do asfalto é cortado (numa imagem de satélite) por uma ponte que faz parte de outra estrada que vem de um lado qualquer e volta para lá depois de ter passado por montes e vales e planícies e outras coisas que não me lembro.

Nessas pontes em tardes de sol os homens debruçam-se sobre a Auto-estrada e alçam as suas canas de pesca.
Ondas de calor tocam-lhes os pés e trazem com elas conchas, pedaços de estrelas-do-mar caídas em desgraça e restos de pastilhas elásticas descolados do asfalto.

Pescam.
Sabem como são os pescadores, cada um tem uma história mais miraculosa ainda que a do outro para contar quando se reúnem. O que pescou um camião TIR vergado ao peso da consciência, o que pescou um autocarro de passageiros vindo de um país tão longínquo que não foi possível identificar pela matrícula.

Uns tentam pescar os carros pelas cores, há quem prefira os pretos, há quem prefira os azuis, outros as marcas, os modelos.

Aquele queria um carro encarnado como uma rosa para oferecer à mulher amada.
Outro um autocarro para se sentir importante.

Este queria um mini.
Tinha filhos pequenos e queria dar-lhes um mini de presente.
Um carrinho pequeno que os fizesse rir e correr para ele e abraçá-lo quando chegasse a casa depois de um domingo de pesca, que lhe fizesse sentir a alegria dos gestos pequenos, o orgulho de os fazer felizes.

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