Tuesday, February 07, 2006
As Aventuras do Príncipe Achmed (versão não autorizada) Parte XIII O Regresso do Patinho de Borracha
Desta vez o que tocava à campainha era o cheiro do fumo do cigarro com sabor a Her Wah.
Consciente de que podia ser mais um truque do coleccionador de momentos Achmed dirigiu-se pé ante pé à porta e espreitou pelo óculo.
Era ela. Os olhos cor de mel de rosmaninho espalhavam quietude através do óculo como raios de paz.
Abriu a porta e fê-la entrar.
Trazia o inevitável cuco e uma romã, começou a brincar com os olhos com Achmed mas viu o ar triste dele e pediu-lhe uma resposta «que é que te aconteceu?» - «foi o pato, o meu pato, o meu amigo, morreu para me defender» - mas onde estava o patinho, perguntava-lhe ela, e ele que não precisou de lhe dizer mais nada pois o corpinho amarelo de borracha estendia-se no chão triste da sala.
«Posso tomar banho com ele?» Perguntou Her Wah comovida.
«Podes, claro, é uma última homenagem.»
Que talvez não, sussurrou ela com ar enigmático. Pôs a romã no meio da sala e dirigiu-se com o patinho para a casa de banho. «Onde é que tens a toalhas?» e pôs a água da banheira a correr.
Estranha rapariga, pensou ele, não se despe para tomar banho, e então percebeu que Her Wah não estava a tomar banho. Pousara o corpo do patinho delicadamente na água e vira-o flutuar.
«Vês? Flutua. Dá-se bem na água o teu pato.»
Leves sinais de vida e um pequeno sorriso no bico do pato.
Combalido sim mas não morto.
Her Wah leva-o para a sala embrulhado numa toalha, põe-no na mesa e sentam-se os dois em volta dele com os rostos preocupados reflectindo esperança.
Her Wah dá-lhe um beijo.
No pato.
Este acorda e diz qualquer coisa dificilmente perceptível mas que fazia lembrar uma tirada do Donald.
O cuco entretanto dava mostras de alguma agitação, andava de um lado para o outro em passos curtos.
Tal era a alegria que nem Achmed nem Her Wah deram por isso.
Achmed foi à cozinha e trouxe uma saladeira com iogurte de sabor a morango.
«E se a gente abrisse a romã e a deitasse no iogurte?»
»Talvez ficasse um pouco carregado de frutos vermelhos» disse o cuco enquanto compunha o nó da gravata, «mas por princípio não acho mal».
«Mas tu falas» disse Achmed.
«Mas tu és o coleccionador de momentos» disse Her Wah, mais lesta.
«Sim, sou. Confesso. Mascarei-me de cuco para te acompanhar, Her Wah, pois tu és a criatura mais maravilhosa do mundo.»
- «E é assim que me tratas? Plantas-me no meio das flores?»
«E a mim, multiplicas-me e matas-me o patinho de tomar banho?»
- «Pois, mas eu de ti não gosto mesmo».
Achmed e o coleccionador de momentos cresceram um para o outro, num anunciar de partir móveis e encher as alcatifas de sangue.
Nesse instante a voz do patinho de borracha fez-se ouvir: «Parem de lutar» ordenou, portem-se como cavalheiros.
«Pois, mas era isso mesmo que íamos …»
«Parem», ordenou de novo o pato.
«Gosto de paz, não me apetece andar a limpar isto depois» continuou.
«Sentem-se e falem».
Ainda a rosnar sentaram-se os três à volta da saladeira com o iogurte de morango e começaram a servir-se.
Comeram uma valentes pratadas e o Coleccionador de Momentos disse: «Isto com romã sabe mesmo bem!»
Os olhos de Her Wah iam ficando da cor do mel de alecrim.
A suivre…
Consciente de que podia ser mais um truque do coleccionador de momentos Achmed dirigiu-se pé ante pé à porta e espreitou pelo óculo.
Era ela. Os olhos cor de mel de rosmaninho espalhavam quietude através do óculo como raios de paz.
Abriu a porta e fê-la entrar.
Trazia o inevitável cuco e uma romã, começou a brincar com os olhos com Achmed mas viu o ar triste dele e pediu-lhe uma resposta «que é que te aconteceu?» - «foi o pato, o meu pato, o meu amigo, morreu para me defender» - mas onde estava o patinho, perguntava-lhe ela, e ele que não precisou de lhe dizer mais nada pois o corpinho amarelo de borracha estendia-se no chão triste da sala.
«Posso tomar banho com ele?» Perguntou Her Wah comovida.
«Podes, claro, é uma última homenagem.»
Que talvez não, sussurrou ela com ar enigmático. Pôs a romã no meio da sala e dirigiu-se com o patinho para a casa de banho. «Onde é que tens a toalhas?» e pôs a água da banheira a correr.
Estranha rapariga, pensou ele, não se despe para tomar banho, e então percebeu que Her Wah não estava a tomar banho. Pousara o corpo do patinho delicadamente na água e vira-o flutuar.
«Vês? Flutua. Dá-se bem na água o teu pato.»
Leves sinais de vida e um pequeno sorriso no bico do pato.
Combalido sim mas não morto.
Her Wah leva-o para a sala embrulhado numa toalha, põe-no na mesa e sentam-se os dois em volta dele com os rostos preocupados reflectindo esperança.
Her Wah dá-lhe um beijo.
No pato.
Este acorda e diz qualquer coisa dificilmente perceptível mas que fazia lembrar uma tirada do Donald.
O cuco entretanto dava mostras de alguma agitação, andava de um lado para o outro em passos curtos.
Tal era a alegria que nem Achmed nem Her Wah deram por isso.
Achmed foi à cozinha e trouxe uma saladeira com iogurte de sabor a morango.
«E se a gente abrisse a romã e a deitasse no iogurte?»
»Talvez ficasse um pouco carregado de frutos vermelhos» disse o cuco enquanto compunha o nó da gravata, «mas por princípio não acho mal».
«Mas tu falas» disse Achmed.
«Mas tu és o coleccionador de momentos» disse Her Wah, mais lesta.
«Sim, sou. Confesso. Mascarei-me de cuco para te acompanhar, Her Wah, pois tu és a criatura mais maravilhosa do mundo.»
- «E é assim que me tratas? Plantas-me no meio das flores?»
«E a mim, multiplicas-me e matas-me o patinho de tomar banho?»
- «Pois, mas eu de ti não gosto mesmo».
Achmed e o coleccionador de momentos cresceram um para o outro, num anunciar de partir móveis e encher as alcatifas de sangue.
Nesse instante a voz do patinho de borracha fez-se ouvir: «Parem de lutar» ordenou, portem-se como cavalheiros.
«Pois, mas era isso mesmo que íamos …»
«Parem», ordenou de novo o pato.
«Gosto de paz, não me apetece andar a limpar isto depois» continuou.
«Sentem-se e falem».
Ainda a rosnar sentaram-se os três à volta da saladeira com o iogurte de morango e começaram a servir-se.
Comeram uma valentes pratadas e o Coleccionador de Momentos disse: «Isto com romã sabe mesmo bem!»
Os olhos de Her Wah iam ficando da cor do mel de alecrim.
A suivre…