Sunday, January 01, 2006
Iogurte com sabor a morango, Parte XIV, A Despedida
Com o fim da perigosidade dos caracóis a guerra acabava e a resistência perdia o sentido. Perdendo o sentido perdia o poder.
E a rapariga tinha-se habituado ao poder, respirava-o e comia-o, dormia com ele e não o iria largar sem luta.
Deixei o Zé ir para casa.
Dois dias depois fui ao funeral.
Não havia maneira de adiar as coisas, era eu e ela.
Primeiro ela mandou assaltar-me a casa.
Claro que depois do aniversário nem eu nem o filho lá estávamos.
Matou-me uma data de amigos mas a não me atingiu a mim nem ao menino, estávamos escondidos nos esgotos. Como nos velhos tempos.
Convidou-me para um encontro a sós no parque de estacionamento do supermercado onde nos encontráramos pela primeira vez.
Ir sozinho e levar uma faca.
Que sim.
Ao Pôr-do-sol, nós os dois, frente e frente.
- «Vais abusar de mim?» – perguntei-lhe.
- «Vou com certeza.»
- «O que te levou a modificares-te tanto?
- «Eu não me modifiquei, fui sempre assim, tu é que me vias de outra maneira.»
- «Não há mais nada a dizer, pois não?» - e levei a mão à testa.
Nessa altura a cabeça dela explodiu num jorro de sangue.
Depois ouvi um disparo vindo de longe.
Atirei-me para o chão mas não valia a pena, não havia mais atiradores emboscados para além do que eu trouxera.
Honra lhe seja feita, tinha escolhido uma maneira nobre de morrer.
E a rapariga tinha-se habituado ao poder, respirava-o e comia-o, dormia com ele e não o iria largar sem luta.
Deixei o Zé ir para casa.
Dois dias depois fui ao funeral.
Não havia maneira de adiar as coisas, era eu e ela.
Primeiro ela mandou assaltar-me a casa.
Claro que depois do aniversário nem eu nem o filho lá estávamos.
Matou-me uma data de amigos mas a não me atingiu a mim nem ao menino, estávamos escondidos nos esgotos. Como nos velhos tempos.
Convidou-me para um encontro a sós no parque de estacionamento do supermercado onde nos encontráramos pela primeira vez.
Ir sozinho e levar uma faca.
Que sim.
Ao Pôr-do-sol, nós os dois, frente e frente.
- «Vais abusar de mim?» – perguntei-lhe.
- «Vou com certeza.»
- «O que te levou a modificares-te tanto?
- «Eu não me modifiquei, fui sempre assim, tu é que me vias de outra maneira.»
- «Não há mais nada a dizer, pois não?» - e levei a mão à testa.
Nessa altura a cabeça dela explodiu num jorro de sangue.
Depois ouvi um disparo vindo de longe.
Atirei-me para o chão mas não valia a pena, não havia mais atiradores emboscados para além do que eu trouxera.
Honra lhe seja feita, tinha escolhido uma maneira nobre de morrer.
