Friday, January 13, 2006
As Aventuras do Príncipe Achmed
PRÍNCIPE HAMAD OU EXTRACTO DE ROMÃ
6º episódio: Piero sobe as escadas até ao sétimo andar de onde tem vista para o Rio. Revela-se um coleccionador de momentos.
O relato completo pode ser encontrado no Blog da autora, Risoleta Pinto Pedro, http://www.risocordetejo.blogspot.com/
As Aventuras do Príncipe Achmed
(versão não autorizada)
Parte VI
Tudo tem uma explicação.
Caí nas mãos de um coleccionador de momentos.
Como sabes – disse-me o alter-ego sentado atrás da secretária – os momentos nascem e morrem, nascem para morrer e dar lugar a outros momentos.
Os momentos são filhos de outros momentos e devoram os pais ao nascer.
Agora imagina que um coleccionador de momentos conseguia arranjar maneira de não os deixar morrer, de fazer com que os momentos se prolongassem até ao infinito, ficassem vivos como zombies para além do seu tempo de morrer.
Tu que sou eu em diversos tempos passámos a ser contemporâneos, como aquele desgraçado lá fora pendurado no poste.
Como se todas as fotografias tipo passe que circulam aí nos nossos documentos, no Bilhete de Identidade, na Carta de Condução, no cartão de sócio do Clube, ganhassem autonomia, ganhassem vida.
Como se alguém em vez de coleccionar pontas de cigarro beijadas pela mulher amada coleccionasse um cinzeiro diferente por cada vez que ela faz o funeral do que resta de um SG Light.
Estás a ver? Há um eu do Bilhete de Identidade que mora em Algés, ou em Roma, e há outro que conduz automóveis entre Algés e Roma ou entre outros destinos quaisquer. E já viste que posso ser do Benfica e do Sporting com a mesma fé, na mesma altura?
Multiplico-me mas não cresço, sou sempre o mesmo. Como se a romã explodisse e os seus bagos começassem a explicar cada um a sua versão do acontecimento.
Ao ganhar as diversas identidades perdi a identidade e tornei-me um títere nas mãos do coleccionador de momentos.
- Bom, já somos três – disse-me eu. O eu da secretária, o eu raptado por um elevador num parque de estacionamento e o eu que voa como as pombas no alto de um poste que já foi suporte de elevador.
- E se ligares a televisão vais ter uma surpresa – respondi-me.
A suivre
6º episódio: Piero sobe as escadas até ao sétimo andar de onde tem vista para o Rio. Revela-se um coleccionador de momentos.
O relato completo pode ser encontrado no Blog da autora, Risoleta Pinto Pedro, http://www.risocordetejo.blogspot.com/
As Aventuras do Príncipe Achmed
(versão não autorizada)
Parte VI
Tudo tem uma explicação.
Caí nas mãos de um coleccionador de momentos.
Como sabes – disse-me o alter-ego sentado atrás da secretária – os momentos nascem e morrem, nascem para morrer e dar lugar a outros momentos.
Os momentos são filhos de outros momentos e devoram os pais ao nascer.
Agora imagina que um coleccionador de momentos conseguia arranjar maneira de não os deixar morrer, de fazer com que os momentos se prolongassem até ao infinito, ficassem vivos como zombies para além do seu tempo de morrer.
Tu que sou eu em diversos tempos passámos a ser contemporâneos, como aquele desgraçado lá fora pendurado no poste.
Como se todas as fotografias tipo passe que circulam aí nos nossos documentos, no Bilhete de Identidade, na Carta de Condução, no cartão de sócio do Clube, ganhassem autonomia, ganhassem vida.
Como se alguém em vez de coleccionar pontas de cigarro beijadas pela mulher amada coleccionasse um cinzeiro diferente por cada vez que ela faz o funeral do que resta de um SG Light.
Estás a ver? Há um eu do Bilhete de Identidade que mora em Algés, ou em Roma, e há outro que conduz automóveis entre Algés e Roma ou entre outros destinos quaisquer. E já viste que posso ser do Benfica e do Sporting com a mesma fé, na mesma altura?
Multiplico-me mas não cresço, sou sempre o mesmo. Como se a romã explodisse e os seus bagos começassem a explicar cada um a sua versão do acontecimento.
Ao ganhar as diversas identidades perdi a identidade e tornei-me um títere nas mãos do coleccionador de momentos.
- Bom, já somos três – disse-me eu. O eu da secretária, o eu raptado por um elevador num parque de estacionamento e o eu que voa como as pombas no alto de um poste que já foi suporte de elevador.
- E se ligares a televisão vais ter uma surpresa – respondi-me.
A suivre
Comments:
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Eu cá sei como é que se coleccionam momentos e como é que se seleccionam e como é que se percepcionam e como é que se redimensionam.
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