Thursday, January 12, 2006

 

As Aventuras do Príncipe Achmed (versão não autorizada) Parte III

PRÍNCIPE HAMAD OU EXTRACTO DE ROMÃ
Resumo do 3º episódio:
Piero recorda o seu próprio nascimento.

O relato completo pode ser encontrado no Blog da autora, Risoleta Pinto Pedro, http://www.risocordetejo.blogspot.com/

As Aventuras do Príncipe Achmed
(versão não autorizada)

Parte III

Uma rapariga passa, nua, na mão esquerda um cuco, na mão direita uma romã madura.

Nascer é uma coisa complicada, quanto mais renascer.
Voltar a passar molhado e frio do mundo seguro do ventre da mãe para um lugar perigoso em que é preciso ter cuidado ao atravessar as ruas para não se ser atropelado.
Saber o que isso custa e mesmo assim tomar o elevador à espera de que as coisas melhorem é uma obra que requer coragem.

Felizmente os da segurança não chamaram a polícia.
Deram-lhe umas roupas e umas palmadas nas costas em jeito de despedida.

Saiu dali assim que pode.
Resolveu ir para casa para mudar de roupa e verificar se por acaso não estaria a dormir na sua cama e tudo aquilo não passava de um sonho.

Procurou Roma inteira mas não encontrou a sua casa.
Perguntou a várias pessoas onde estava a sua rua mas elas eram por coincidência todas estrangeiras e não se conseguia fazer entender. Ninguém falava qualquer língua sua conhecida.

Convencido que a culpa do que lhe estava a acontecer era do elevador foi procurar o Hospital.
Não o encontrou.
No seu lugar estava um parque de estacionamento.

Ficou com a impressão de estar com o destino trocado.

Entrou no parque de estacionamento e viu que tinha elevadores.

«Nesta não caio eu!» Pensou.
Mas a atracção do abismo fascinava-o.
Saberia domar o medo?

Além de que o elevador naquele caso era a descer. Descia do piso térreo para o parque -1 e depois para o parque -2.
Que mal podia acontecer-lhe num elevador que afinal era um deselevador?

Na realidade era uma caixa fechada na mesma mas que não subia depositando-o no céu ou numa praça aberta, em princípio descia, embora a sua experiência recente lhe dissesse que devia desconfiar desse género de inferência.
Carregou no botão de chamada e mal a porta se abriu hesitou.
Tinha medo.
Uma impressão dolorosa no ventre, um frio esquisito.

Deixou passar aquele elevador, respirou fundo e carregou outra vez no botão.
O elevador apenas tinha fechado as portas mas a sua boca enorme aguardava-o logo ali para o devorar mal tocou no botão.
Deixou-se tragar. Com a respiração entrecortada procurou um botão para carregar. Havia dois. Tinham desenhos de coisas parecidas com letras de um alfabeto que não lhe era completamente estranho mas que era de qualquer modo incompreensível.

Carregou no botão de baixo.
O elevador fechou as portas lentamente sobre si.
Sentiu-se descer.
Tremia e parara de respirar. Fechou os olhos.

Desceu e desceu, parecia nunca mais parar. Será que é o medo que me faz prolongar o tempo da viagem, o meu coração apressado que me multiplica os segundos e os faz minutos?

Decidiu entrar em pânico e nessa altura as portas do elevador abriram-se.
Deixou o pânico sair primeiro e depois aventurou-se.

Era um escritório enorme.
Filas e filas de funcionários espreitavam para dentro dos monitores dos respectivos computadores.
Alguns falavam pelo telefone.
Lâmpadas de tecto compridas zelavam sobre as actividades que decorriam junto ao solo.

Uma rapariga com um tailleur cinzento, meias pretas, um colar de pérolas discreto, um cuco na mão esquerda e uma romã na mão direita sorriu-lhe de mansinho cumprimentando-o.

A suivre...

Comments:
Em Roma acontecem coisas estranhas. Uma vez encontrei numa montra de pastelaria três, repara, três ramos de acácia!
 
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