Wednesday, January 11, 2006
As Aventuras do Príncipe Achmed (versão não autorizada) Parte II
PRÍNCIPE HAMAD OU EXTRACTO DE ROMÃ
2º episódio: Piero procura na mente a razão por que sofre de claustrofobia.
O relato completo pode ser encontrado no Blog da autora, Risoleta Pinto Pedro, http://www.risocordetejo.blogspot.com/
As Aventuras do Príncipe Achmed
(versão não autorizada)
Parte II
A. Luz!
É a primeira coisa que vejo, é a primeira vez que a vejo mas sei o que é, sempre soube.
Vozes!
Não mais o bater regular que me acompanhou durante tanto tempo. O hino ao bombear do sangue é agora substituído pelo caos das vozes que não compreendo.
Frio!
Tenho medo. Começo a gritar e o som do meu choro abafa o caos do ruído das vozes.
Seco!
Um mundo novo aguarda-me e não sei se gosto dele.
B. Continuação da história narrada lá atrás:
Ao ser depositado na Praça de S. Pedro tomo consciência de estar a fazer parte de um milagre.
Turistas correm furiosamente na minha direcção de máquinas fotográficas em riste.
Rapidamente os serviços de segurança me acolhem e cobrem o corpo, visto que estou nu e molhado (molhado ainda vá lá, mas parece que nu no Vaticano é proibido pelo menos desde o século XVII).
Os restos do elevador incendiaram-se e deles só resta uma leve cinza que o vento suave em breve dispersa.
Não tenho assim prova de ter sido outra coisa para além de um ser nu e molhado, não tenho prova de ter vindo de algum lado, de pertencer a algum lado.
Por outro lado não tenho meios de regressar ao lugar de onde vim a não ser a pé, posto que o elevador desapareceu.
Tento falar com os seguranças mas eles olham em frente como se fossem surdos e permanecem indiferentes aos meus gestos.
Levam-me a um responsável.
Os galões de responsável espelham-se-lhe na expressão da face.
Começa a falar comigo numa língua vagamente familiar mas que não entendo.
Oiço que tenta a abordagem noutras línguas. Todas me parecem familiares, mas não as reconheço.
Além da responsabilidade nota-se-lhe agora no olhar a irritação.
Se calhar vão chamar a polícia.
A suivre...
C. Continuação daquela parte em que Piero encontra o seu outro eu nas traseiras do elevador:
Foi o seu outro eu que quebrou o gelo:
«Despe-te!» ordenou-lhe, seguido de um «Vai tomar banho!» assim que se despiu.
É por vezes difícil obedecer à nossa própria voz, mas aquele era um caso em que a autoridade que o seu alter-ego emanava tornava as coisas fáceis.
Curioso, pensou, o eu que me conheço sou indeciso e pouco autoritário mas este eu dou ordens como se não fizesse outra coisa na vida e não espero de facto nada senão que me obedeçam.
Foi tomar banho, um chuveiro morno. No fim pediu uma toalha.
- Que não havia. Tinha de ficar molhado, a ideia era essa.
Mandou-o entrar de volta para o elevador.
Apesar de a ordem lhe desagradar não viu maneira de se impedir de obedecer a si próprio.
Uma vez dentro do elevador o seu outro eu que ficara na sala disse à máscara africana que aparelhasse os cavalos de fogo ao elevador e o conduzisse até à Praça de S. Pedro.
Mandou-o também esquecer o que se passara até aí.
Tenho planos para mim para o futuro disse-se a si próprio o alter-ego. Vou escrever uma floresta de enganos.
A suivre...
2º episódio: Piero procura na mente a razão por que sofre de claustrofobia.
O relato completo pode ser encontrado no Blog da autora, Risoleta Pinto Pedro, http://www.risocordetejo.blogspot.com/
As Aventuras do Príncipe Achmed
(versão não autorizada)
Parte II
A. Luz!
É a primeira coisa que vejo, é a primeira vez que a vejo mas sei o que é, sempre soube.
Vozes!
Não mais o bater regular que me acompanhou durante tanto tempo. O hino ao bombear do sangue é agora substituído pelo caos das vozes que não compreendo.
Frio!
Tenho medo. Começo a gritar e o som do meu choro abafa o caos do ruído das vozes.
Seco!
Um mundo novo aguarda-me e não sei se gosto dele.
B. Continuação da história narrada lá atrás:
Ao ser depositado na Praça de S. Pedro tomo consciência de estar a fazer parte de um milagre.
Turistas correm furiosamente na minha direcção de máquinas fotográficas em riste.
Rapidamente os serviços de segurança me acolhem e cobrem o corpo, visto que estou nu e molhado (molhado ainda vá lá, mas parece que nu no Vaticano é proibido pelo menos desde o século XVII).
Os restos do elevador incendiaram-se e deles só resta uma leve cinza que o vento suave em breve dispersa.
Não tenho assim prova de ter sido outra coisa para além de um ser nu e molhado, não tenho prova de ter vindo de algum lado, de pertencer a algum lado.
Por outro lado não tenho meios de regressar ao lugar de onde vim a não ser a pé, posto que o elevador desapareceu.
Tento falar com os seguranças mas eles olham em frente como se fossem surdos e permanecem indiferentes aos meus gestos.
Levam-me a um responsável.
Os galões de responsável espelham-se-lhe na expressão da face.
Começa a falar comigo numa língua vagamente familiar mas que não entendo.
Oiço que tenta a abordagem noutras línguas. Todas me parecem familiares, mas não as reconheço.
Além da responsabilidade nota-se-lhe agora no olhar a irritação.
Se calhar vão chamar a polícia.
A suivre...
C. Continuação daquela parte em que Piero encontra o seu outro eu nas traseiras do elevador:
Foi o seu outro eu que quebrou o gelo:
«Despe-te!» ordenou-lhe, seguido de um «Vai tomar banho!» assim que se despiu.
É por vezes difícil obedecer à nossa própria voz, mas aquele era um caso em que a autoridade que o seu alter-ego emanava tornava as coisas fáceis.
Curioso, pensou, o eu que me conheço sou indeciso e pouco autoritário mas este eu dou ordens como se não fizesse outra coisa na vida e não espero de facto nada senão que me obedeçam.
Foi tomar banho, um chuveiro morno. No fim pediu uma toalha.
- Que não havia. Tinha de ficar molhado, a ideia era essa.
Mandou-o entrar de volta para o elevador.
Apesar de a ordem lhe desagradar não viu maneira de se impedir de obedecer a si próprio.
Uma vez dentro do elevador o seu outro eu que ficara na sala disse à máscara africana que aparelhasse os cavalos de fogo ao elevador e o conduzisse até à Praça de S. Pedro.
Mandou-o também esquecer o que se passara até aí.
Tenho planos para mim para o futuro disse-se a si próprio o alter-ego. Vou escrever uma floresta de enganos.
A suivre...
Comments:
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É espantoso como uma singela ideia pode desdobrar-se em infinitas possibilidades. Assim é o mundo, desconfio; e nós apenas conhecemos (conhecemos?) uma pequeníssima parcela.
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