Tuesday, January 10, 2006

 

As Aventuras do Príncipe Achmed (versão não autorizada) Parte I

PRINCIPE HAMAD OU EXTRACTO DE ROMÃ

1º episódio.
Piero é obstetra, mora em Roma, sofre de claustrofobia e entra num elevador que não funciona.
O relato completo pode ser encontrado no Blog da autora, Risoleta Pinto Pedro,
  • http://www.risocordetejo.blogspot.com/
    As Aventuras do Príncipe Achmed
    (versão não autorizada)

    Parte I

    A. Na parte de trás do elevador, a que devia ser cega, adivinha-se uma porta em carvalho grosso que quando entrara juraria que não estava lá.

    Na porta tinha escrito em palavras sussurradas: Entra-me.

    Pesada como era custou-lhe movê-la mas entreabriu-a e passou pela fresta assim formada.

    Do outro lado um outro ele olhava para si com um ar admirado.

    Vestia-se de outras cores. Era mais alto e conservava mais cabelo. De resto pouco os diferenciava.
    Talvez um ar irónico na cara do seu outro eu, como se esperasse tudo na vida, até com dar consigo a entrar por uma porta de carvalho apenas entreaberta.

    É difícil saber o que fazer numa situação destas.
    Cumprimentar?
    Como estou?

    Como vim aqui parar? – Qual de nós?

    O mundo deste lado do elevador não era um piso térreo como pode ver pela janela atrás do outro eu, via-se telhados até perder de vista, céu azul sem fronteiras.
    Uma sala forrada a móveis de mogno.
    Não era o gabinete de um obstetra, pelo menos num hospital.

    Do lado esquerdo uma máscara africana, grande, em madeira escura parecia ouvir o bater rápido do seu coração enquanto o banhava com um olhar malévolo.

    Olhava para esses lados à espera de inspiração para dizer alguma coisa.

    B. Talvez antes assim:

    Uma tontura avassala-o. Põe as mãos na parede do elevador para se equilibrar e repara que está quente.
    Mantém as mãos enquanto a parede aquece até se tornar insuportável.

    O Suor tapa-lhe os olhos. Ajoelha-se no chão do elevador e sente que as paredes se apertam à sua volta como num conto do Edgar Alan Poe.

    De súbito uma corrente de ar, um bater de asas.
    Um anjo? Pergunta-se.

    A medo abre os olhos e não, não era um anjo, apenas uma pomba a olhar para si com um ar espantado.
    À sua volta ar.
    O elevador subira ao topo do edifício do hospital, furara a cobertura e deixara-o sozinho numa plataforma como se fosse um globo no topo de um poste.
    Qualquer rabanada de vento ameaçava-o de o fazer cair.
    Agachou-se ainda mais no chão do que fora o elevador e viu que este começava a encolher.

    Ou ainda:

    C. Só aparentemente o elevador não se movia.

    Começou a detectar algum movimento quando se apercebeu que estava a enjoar, o que o deixou cheio de satisfação.

    O elevador movia-se, sim, mas não tinha qualquer noção de para onde.

    Os elevadores são um bocado estreitos de perspectivas, em geral. Para cima, para baixo, primeiro andar, confecções de senhora.
    Desta vez tinha dado com um criativo. Felizmente não passava música senão sabe-se lá o que sairia dali (Iron Maiden? Qualquer coisa longe do conceito de música de elevador).

    À claustrofobia juntava-se agora o medo do destino.

    Será que me vai deixar no quarto andar, no Serviço de Obstetrícia? No sexto andar, aquele andar onde se passam aquelas coisas que eu não tenho autorização para ver? Perguntava-se.

    Com grande estrondo e pompa de trombetas a porta do elevador abriu-se.

    Estava no meio da Praça grande do Vaticano.»

    A suivre...

  • Comments:
    Observações: Um anjo ou uma pomba, é igual.
    Mais: as três versões não são incompatíveis, pois não? Ou são?
     
    A incompatibilidade das versões está na proporção inversa da capacidade de transformar pombas em anjos. E vice versa.
     
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