Wednesday, December 07, 2005
O construtor de momentos, mais histórias de animais, desta vez a Tainha
O sapal de Castro Marim, ou o sapal do Rio Coura, em Caminha, são bons exemplos mas a Ria Formosa é o caso mais claro.
Senta-se o cidadão num lugar privilegiado, o cidadão privilegiado, claro, que os outros não têm tempo, e observa.
Os caranguejos passeiam na areia da baixa-mar com aquele à vontade lateral que os caracteriza.
As garças, tudo o que é gaivota, panurgos, tufos de ervas cor de lama, lama cor de lama, lama por todos os lados.
Suave lama que tudo cobre com o seu assentamento igualitário.
Mas uma das características da maré baixa é que tende com o tempo a transformar-se em maré-alta.
É o peso da Lua.
Manuel Ribeiro passou da maré baixa da vida à maré-alta em poucas páginas. Foi tocado por sentimentos que o moveram por dentro e por fora.
Agora sente-se o leitor no Jardim do Pescador, em Olhão, e olhe para o leito da Ria.
Pouco a pouco as ilhotas que via vão sendo submersas, os apanhadores de amêijoas desaparecem, os caranguejos são substituídos por tainhas e a lama que tudo cobre é por sua vez coberta por água por sua vez cor de lama.
É um processo que demora horas, corre sempre, do nascer ao pôr-do-sol, e que não é aconselhável observar no Verão por causa do calor.
Nunca sentiu acontecer-lhe isto na vida?
A sua lamazinha ser envolta em água?
Os hábitos que tinha?
Nada que valesse a pena guardar.
Os seus amigos?
Silenciosamente afastam-se.
Um dia chega a casa e descobre que já não mora na sua casa, mora na casa de outra pessoa e que não está a viver a sua vida, está a viver a dela.
A lama, os caranguejos?
Afogaram-se.
As garças, as gaivotas?
Voaram.
Quando é que se dá por ela?
Talvez quando se começa a jogar cartas com os amigos dela e não com os nossos, talvez quando se chega a casa um dia e o televisor foi substituído por outro diferente, quando se percebe que não se pode ouvir música alto para não incomodar, talvez mais tarde ainda.
Mas nessa altura as tainhas flutuam já sobre a liberdade, alimentando-se dos restos dela.
Senta-se o cidadão num lugar privilegiado, o cidadão privilegiado, claro, que os outros não têm tempo, e observa.
Os caranguejos passeiam na areia da baixa-mar com aquele à vontade lateral que os caracteriza.
As garças, tudo o que é gaivota, panurgos, tufos de ervas cor de lama, lama cor de lama, lama por todos os lados.
Suave lama que tudo cobre com o seu assentamento igualitário.
Mas uma das características da maré baixa é que tende com o tempo a transformar-se em maré-alta.
É o peso da Lua.
Manuel Ribeiro passou da maré baixa da vida à maré-alta em poucas páginas. Foi tocado por sentimentos que o moveram por dentro e por fora.
Agora sente-se o leitor no Jardim do Pescador, em Olhão, e olhe para o leito da Ria.
Pouco a pouco as ilhotas que via vão sendo submersas, os apanhadores de amêijoas desaparecem, os caranguejos são substituídos por tainhas e a lama que tudo cobre é por sua vez coberta por água por sua vez cor de lama.
É um processo que demora horas, corre sempre, do nascer ao pôr-do-sol, e que não é aconselhável observar no Verão por causa do calor.
Nunca sentiu acontecer-lhe isto na vida?
A sua lamazinha ser envolta em água?
Os hábitos que tinha?
Nada que valesse a pena guardar.
Os seus amigos?
Silenciosamente afastam-se.
Um dia chega a casa e descobre que já não mora na sua casa, mora na casa de outra pessoa e que não está a viver a sua vida, está a viver a dela.
A lama, os caranguejos?
Afogaram-se.
As garças, as gaivotas?
Voaram.
Quando é que se dá por ela?
Talvez quando se começa a jogar cartas com os amigos dela e não com os nossos, talvez quando se chega a casa um dia e o televisor foi substituído por outro diferente, quando se percebe que não se pode ouvir música alto para não incomodar, talvez mais tarde ainda.
Mas nessa altura as tainhas flutuam já sobre a liberdade, alimentando-se dos restos dela.
Comments:
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Em que momento é que o argumentista se esqueceu da sua história?
Que aconteceu às personagens? E ao cenário? Esmagados pela Lua!
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