Monday, December 26, 2005
Metamorfoses: O Pai Natal
O Pai Natal do mundo subaquático desloca-se num trenó puxado por focas que são animais domésticos.
O Pai Natal acordou estremunhado e afastou um peixe que lhe cobria os olhos.
Que bom, pensou, já é Natal outra vez.
A hora de distribuir os presentes.
Antevejo com prazer anunciado os rostozinhos das sardinhas quando souberem o que tenho para lhes oferecer.
Ou os dos bacalhaus.
O Pai Natal desde que se mudara para as profundezas andava muito mais desperto e alegre.
Fizera-lhe bem a mudança de mares.
Mandou os polvos aparelhar o trenó, verificou pessoalmente pela quinta vez o carregamento dos presentes, não fosse oferecer uns paninhos de cozinha aos tubarões ou tinteiros aos chocos.
Subiu para o trenó e mandou as focas avançar.
Por esses mares fora vogou a distribuir felicidade.
Vogou a noite inteira. Corria sempre um passo à frente da aurora e quando esta raiava já os peixinhos encontravam os seus presentes no sapatinho.
Faltava-lhe só uma morada, a de um polvo pequeno que morava numa rocha junto a uma praia.
Era longe da casa do Pai Natal, nos mares do Sul, mas onde houvesse um pequeno ser com sonhos e esperanças o Pai Natal chegava.
As focas embaladas pelo mar sereno, o Pai Natal feliz e cansado por ter já distribuído tanta felicidade acabou por adormecer.
Uma praia em frente, as focas não se entenderam sobre para que lado ir, as da esquerda opinavam a direita, as da direita, com excepção da de trás opinavam a esquerda, entrada fulgurante pela areia adentro de trenó escangalhado e Pai Natal voador sem saber muito bem o que lhe tinha acontecido.
No princípio a sua preocupação foi cuspir a areia que lhe tinha entrado para a boca.
Em breve porém as suas preocupações tornaram-se menos materiais.
Como é que eu vou entregar o presente ao polvinho?
Passou um caranguejo e o Pai Natal perguntou-lhe se conhecia o polvinho.
Mas o caranguejo era um animal demasiado soberbo para acreditar no Pai Natal, não respondeu.
Viu voar uma gaivota. Estou com sorte, pensou, as gaivotas sabem tudo e esta vai com certeza dizer-me a morada do polvinho.
Mas a gaivota não lhe respondeu. Nem uns maçaricos que andavam perto.
A foca mestra começava a sair do torpor que a invadira com a amaragem forçada na praia.
«É que o Pai Natal só consegue falar com as criaturas do Mar, as gaivotas não são do Mar, só lá vão comer!»
- «Mas então como é que eu faço?»
O Pai Natal entrou dentro de água à procura de uma solução. Uma alforreca ondulou na sua direcção:
«Bom dia, Pai Natal, posso ajudá-lo?»
- «A morada de uns polvos numa rocha perto da praia.»
- «Sei bem onde fica, mas eu não chego tão fundo, vou pedir ajuda à garoupa.»
E assim fez, pediu à garoupa que acompanhasse o Pai Natal até ao buraco dos polvos.
A garoupa e o Pai Natal mergulharam e foram até lá.
O Pai Natal borbulhou à porta a chamar o polvinho, já que era o último ia ter o privilégio de o contactar pessoalmente.
O polvinho veio à porta, o seu olhar feliz foi a última coisa que o Pai Natal viu antes de a garoupa o devorar.
Ficou especado no lugar, as algas batiam-lhe suavemente nas pernas, a mãe do polvo olhava com ar incrédulo para o sítio onde momentos antes estava o filho.
A garoupa arrotou e foi-se embora, já tinha ganho o dia.
Voltou para a praia. As focas já recompostas espreguiçavam-se ao Sol na praia, inconscientes do drama que se passara.
Suspirou. Felizmente só iria ser Natal outra vez daí a um ano.
O Pai Natal acordou estremunhado e afastou um peixe que lhe cobria os olhos.
Que bom, pensou, já é Natal outra vez.
A hora de distribuir os presentes.
Antevejo com prazer anunciado os rostozinhos das sardinhas quando souberem o que tenho para lhes oferecer.
Ou os dos bacalhaus.
O Pai Natal desde que se mudara para as profundezas andava muito mais desperto e alegre.
Fizera-lhe bem a mudança de mares.
Mandou os polvos aparelhar o trenó, verificou pessoalmente pela quinta vez o carregamento dos presentes, não fosse oferecer uns paninhos de cozinha aos tubarões ou tinteiros aos chocos.
Subiu para o trenó e mandou as focas avançar.
Por esses mares fora vogou a distribuir felicidade.
Vogou a noite inteira. Corria sempre um passo à frente da aurora e quando esta raiava já os peixinhos encontravam os seus presentes no sapatinho.
Faltava-lhe só uma morada, a de um polvo pequeno que morava numa rocha junto a uma praia.
Era longe da casa do Pai Natal, nos mares do Sul, mas onde houvesse um pequeno ser com sonhos e esperanças o Pai Natal chegava.
As focas embaladas pelo mar sereno, o Pai Natal feliz e cansado por ter já distribuído tanta felicidade acabou por adormecer.
Uma praia em frente, as focas não se entenderam sobre para que lado ir, as da esquerda opinavam a direita, as da direita, com excepção da de trás opinavam a esquerda, entrada fulgurante pela areia adentro de trenó escangalhado e Pai Natal voador sem saber muito bem o que lhe tinha acontecido.
No princípio a sua preocupação foi cuspir a areia que lhe tinha entrado para a boca.
Em breve porém as suas preocupações tornaram-se menos materiais.
Como é que eu vou entregar o presente ao polvinho?
Passou um caranguejo e o Pai Natal perguntou-lhe se conhecia o polvinho.
Mas o caranguejo era um animal demasiado soberbo para acreditar no Pai Natal, não respondeu.
Viu voar uma gaivota. Estou com sorte, pensou, as gaivotas sabem tudo e esta vai com certeza dizer-me a morada do polvinho.
Mas a gaivota não lhe respondeu. Nem uns maçaricos que andavam perto.
A foca mestra começava a sair do torpor que a invadira com a amaragem forçada na praia.
«É que o Pai Natal só consegue falar com as criaturas do Mar, as gaivotas não são do Mar, só lá vão comer!»
- «Mas então como é que eu faço?»
O Pai Natal entrou dentro de água à procura de uma solução. Uma alforreca ondulou na sua direcção:
«Bom dia, Pai Natal, posso ajudá-lo?»
- «A morada de uns polvos numa rocha perto da praia.»
- «Sei bem onde fica, mas eu não chego tão fundo, vou pedir ajuda à garoupa.»
E assim fez, pediu à garoupa que acompanhasse o Pai Natal até ao buraco dos polvos.
A garoupa e o Pai Natal mergulharam e foram até lá.
O Pai Natal borbulhou à porta a chamar o polvinho, já que era o último ia ter o privilégio de o contactar pessoalmente.
O polvinho veio à porta, o seu olhar feliz foi a última coisa que o Pai Natal viu antes de a garoupa o devorar.
Ficou especado no lugar, as algas batiam-lhe suavemente nas pernas, a mãe do polvo olhava com ar incrédulo para o sítio onde momentos antes estava o filho.
A garoupa arrotou e foi-se embora, já tinha ganho o dia.
Voltou para a praia. As focas já recompostas espreguiçavam-se ao Sol na praia, inconscientes do drama que se passara.
Suspirou. Felizmente só iria ser Natal outra vez daí a um ano.
Comments:
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Por acaso eu conheço uma caranguejo, mais propriamente uma carangueja, que acredita no Pai Natal. O Pai Natal, quando passou pelo caranguejo, devia ter-lhe dado uma prenda. POdia ter sido, por exemplo, "A Menina do Mar", da Sophia. Assim, perdeu uma oportunidade de o caranguejo acreditar no Pai Natal. Mas como para o ano é outra vez Natal pode ser que...
Os meus caranguejos não acreditam no Pai Natal.
Por isso são caranguejos.
Nunca será demais protestar contra a utilização abusiva de animais em fábulas sem sentido, em que as focas falam, os caranguejos se recusam a responder e as gaivotas não são poliglotas.
É absurdo.
E o Pai Natal, como é que podia viver debaixo de água sem se afogar?
E o disparate de perguntar coisas às alforrecas? Toda a gente sabe que as alforrecas são surdas!
Isto é só disparates sem sentido e recuso-me a participar nesta fantochada.
Vou desligar.
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Por isso são caranguejos.
Nunca será demais protestar contra a utilização abusiva de animais em fábulas sem sentido, em que as focas falam, os caranguejos se recusam a responder e as gaivotas não são poliglotas.
É absurdo.
E o Pai Natal, como é que podia viver debaixo de água sem se afogar?
E o disparate de perguntar coisas às alforrecas? Toda a gente sabe que as alforrecas são surdas!
Isto é só disparates sem sentido e recuso-me a participar nesta fantochada.
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