Monday, December 26, 2005
Iogurte de sabor a morango e caracóis. IX Baptismo de Fogo
O Virgílio sugeriu uma ida ao supermercado onde eu encontrara o iogurte com morango a fim de ir buscar materiais, incluindo leite para bebés.
Distribuiu armas a todos (menos a mim) e fomos num grupo de cinco ao supermercado.
Sempre fora da estrada para evitar maus encontros.
Sem incidentes na ida na volta foi um desastre.
Os caracóis andavam desconfiados e montaram uma emboscada junto de uma descida. Desse modo se corrêssemos íamos ter com eles, se voltássemos para trás teríamos de fugir lentamente e eles apanhavam-nos.
Sugeri que largássemos as trouxas e fugíssemos para os lados, mas os da resistência que nem pensar. Agarraram-se ao terreno e fizeram fogo.
Os azuis (eram caracoletas azuis) ripostaram. E eu desarmado, o tiroteio durou bem uns cinco minutos que pareceram horas.
No fim a estratégia da resistência ganhou a batalha. As caracoletas estavam mortas (excepto uma que foi preciso acabá-la à facada) mas do nosso lado só restávamos três, eu e dois combatentes.
Deixámos os cadáveres no local e fugimos antes que mais patrulhas viessem ver o que se passava.
Ganháramos a batalha mas não podíamos ganhar muitas mais a este preço. Se era esta a estratégia da resistência estava inevitavelmente condenada a perder. Havia sempre mais caracóis do que podíamos matar e não havia assim tantos humanos que se pudessem dispensar.
Essa divergência de entendimento levou-me a nunca ter integrado a resistência.
No entanto esse dia fora um dia de vitória militar. Trouxéramos as vitualhas necessárias e desbaratáramos uma coluna de caracoletas.
Merecia uma festa.
E desatámos a comer iogurtes de sabor a morango como se fossem passar do prazo de validade (na realidade já tinham passado, mas quem se interessa por essas coisas?).
Daí a pouco estávamos ligeiramente alterados.
O Virgílio começou por tirar a máscara de neve para mostrar outra que trazia por baixo.
Esta trazia desenhos de volutas em cor de laranja, rosa shocking e azul-turquesa.
Outros faziam o pino.
O Zé, o veterinário, despejava uma caixa de fósforos e punha-se a contá-los e a guardá-los novamente na caixa, um a um. Dava-lhe invariavelmente um número diferente de cada vez que contava.
Tínhamo-nos comportado como guerreiros e assumíamos o gosto cruel do sangue inimigo. Pena que as metáforas não possam ser pintadas de vermelho mas os caracóis na realidade não sangram. Só metaforicamente.
Mas sabia bem por uma vez passar de vítima da caça a caçador.
Distribuiu armas a todos (menos a mim) e fomos num grupo de cinco ao supermercado.
Sempre fora da estrada para evitar maus encontros.
Sem incidentes na ida na volta foi um desastre.
Os caracóis andavam desconfiados e montaram uma emboscada junto de uma descida. Desse modo se corrêssemos íamos ter com eles, se voltássemos para trás teríamos de fugir lentamente e eles apanhavam-nos.
Sugeri que largássemos as trouxas e fugíssemos para os lados, mas os da resistência que nem pensar. Agarraram-se ao terreno e fizeram fogo.
Os azuis (eram caracoletas azuis) ripostaram. E eu desarmado, o tiroteio durou bem uns cinco minutos que pareceram horas.
No fim a estratégia da resistência ganhou a batalha. As caracoletas estavam mortas (excepto uma que foi preciso acabá-la à facada) mas do nosso lado só restávamos três, eu e dois combatentes.
Deixámos os cadáveres no local e fugimos antes que mais patrulhas viessem ver o que se passava.
Ganháramos a batalha mas não podíamos ganhar muitas mais a este preço. Se era esta a estratégia da resistência estava inevitavelmente condenada a perder. Havia sempre mais caracóis do que podíamos matar e não havia assim tantos humanos que se pudessem dispensar.
Essa divergência de entendimento levou-me a nunca ter integrado a resistência.
No entanto esse dia fora um dia de vitória militar. Trouxéramos as vitualhas necessárias e desbaratáramos uma coluna de caracoletas.
Merecia uma festa.
E desatámos a comer iogurtes de sabor a morango como se fossem passar do prazo de validade (na realidade já tinham passado, mas quem se interessa por essas coisas?).
Daí a pouco estávamos ligeiramente alterados.
O Virgílio começou por tirar a máscara de neve para mostrar outra que trazia por baixo.
Esta trazia desenhos de volutas em cor de laranja, rosa shocking e azul-turquesa.
Outros faziam o pino.
O Zé, o veterinário, despejava uma caixa de fósforos e punha-se a contá-los e a guardá-los novamente na caixa, um a um. Dava-lhe invariavelmente um número diferente de cada vez que contava.
Tínhamo-nos comportado como guerreiros e assumíamos o gosto cruel do sangue inimigo. Pena que as metáforas não possam ser pintadas de vermelho mas os caracóis na realidade não sangram. Só metaforicamente.
Mas sabia bem por uma vez passar de vítima da caça a caçador.
Comments:
<< Home
Os iogurtes não fazem mal mesmo que passe alguns dias do prazo. O mesmo já não acontece com os caracóis. Pior ainda: os caracóis não trazem o prazo de validade. Melhor comer iogurtes.
Post a Comment
<< Home
