Saturday, December 31, 2005
Iogurte de Morango e Caracóis, Parte XIII. O Aniversário.
Convidei todos os que tinham partilhado os primeiros momentos, a mãe, o Zé e os dois membros da resistência que ainda estavam vivos dos que ajudaram na primeira hora.
O Zé não podia faltar a esta reunião sem que se levantassem grandes questões.
A rapariga perdera o corpo magro mas não perdera o rancor. Perdera também um olho em combate, o que lhe dava um ar estranho.
O Zé engordara e ficara careca.
Os outros continuavam a usar máscaras de esquiar.
Depois do bolo arranjei maneira de falar cinco minutos a sós com o Zé.
- «Que é que tens andado a fazer, pá?»
- «Nada de especial.»
- «Não? Então e o que se passou em Cacilhas ainda agora? Zé, sabemos que foste tu que puseste os caracóis bravos, não sabemos é como, mas tu vais dizer-me.»
- «É pá, ó Sousa, olha que eu não sei de nada, pá, deixa-me ir embora que a rapariga se nos vê aqui sozinhos fica desconfiada.»
- «Desconfiada de quê, Zé, de que me contes o que se passou?»
- «Não, pá, não é isso, é que, prontos pá, de que enfim, eu fale de mais porra.»
- «Fales de mais sobre quê Zé?»
- «Sabes que mais ó Sousa, vou embora, até logo.»
- «É pá não vás já que eu tenho uma prenda para ti.»
- «Não era preciso incomodares-te…»
Mostrei-lhe então um álbum de fotografias. - «São tuas?» Perguntei-lhe.
O homem passou de todas as cores para o preto e branco, aliás mais para o cinzento.
- «É pá não sou eu, não pode ser.»
- Então este aqui por baixo não é tu? E o outro não é uma avestruz, Zé? Ficas bem nas fotografias, olha aqui a tua carinha, que nítida.»
- «É pá isso é uma montagem, tens de acreditar em mim, Sousa.»
- «Então tenho que acreditar em ti ou na avestruz, pá?»
- «Essa gaja sempre me pareceu falsa.»
O Zé desfez-se. Desatou a chorar. Nem precisei de lhe dizer que a avestruz era um macho e um dos meus melhores agentes.
- «Ó Zé o que é que tu tens andado a fazer?»
- «Sabes que eu sempre gostei de animais…»
- «Não me faças perder tempo, quero lá saber da tua paixão pela cadelinha Laica, ou pensavas que eu não sabia, o que eu quero saber é o que é que tu andaste a fazer com o raio dos caracóis, pá, e quero saber já!»
- «É pá não posso, sabes o que a gaja me faz se me apanha, nem quero pensar nisso e já estou sozinho contigo há muito tempo, deixa-me ir.»
- «Zé, sabes que eu sou teu amigo e não ligo a estas coisas com as avestruzes e as cadelas, mas se calhar vou ter que mandar este álbum de família para a imprensa e tu disso não havia de gostar. Vais despejar o saco e vais já ou pensavas que eu te deixava ir para casa comer o resto do cianeto de potássio que sobrou do caracol que estava preso?»
- «Tu sabes disso? Foi a gaja, pá, foi a gaja…» - Chorava e soluçava, tirei-o de casa pela porta das traseiras, levei-o para uma sala onde estavam à espera dele.
Voltei para a festa.
- «O Zé?» - perguntou a mãe do menino.
- «Iogurte a mais, foi vomitar.»
Não acreditou mas também não entrou em pânico.
O Zé tinha criado um antídoto para a alteração dos orégãos.
Por outro lado tinha andado a fazer experiências com funcho, que é a comida preferida dos caracóis herbívoros e obtivera variedades que os punham loucos.
Ou seja provocava a catástrofe de novo.
Tinha sido por obediência cega à rapariga, que o tinha feito embeiçar-se por uma galinha modificada que trabalhava para ela.
O Zé não podia faltar a esta reunião sem que se levantassem grandes questões.
A rapariga perdera o corpo magro mas não perdera o rancor. Perdera também um olho em combate, o que lhe dava um ar estranho.
O Zé engordara e ficara careca.
Os outros continuavam a usar máscaras de esquiar.
Depois do bolo arranjei maneira de falar cinco minutos a sós com o Zé.
- «Que é que tens andado a fazer, pá?»
- «Nada de especial.»
- «Não? Então e o que se passou em Cacilhas ainda agora? Zé, sabemos que foste tu que puseste os caracóis bravos, não sabemos é como, mas tu vais dizer-me.»
- «É pá, ó Sousa, olha que eu não sei de nada, pá, deixa-me ir embora que a rapariga se nos vê aqui sozinhos fica desconfiada.»
- «Desconfiada de quê, Zé, de que me contes o que se passou?»
- «Não, pá, não é isso, é que, prontos pá, de que enfim, eu fale de mais porra.»
- «Fales de mais sobre quê Zé?»
- «Sabes que mais ó Sousa, vou embora, até logo.»
- «É pá não vás já que eu tenho uma prenda para ti.»
- «Não era preciso incomodares-te…»
Mostrei-lhe então um álbum de fotografias. - «São tuas?» Perguntei-lhe.
O homem passou de todas as cores para o preto e branco, aliás mais para o cinzento.
- «É pá não sou eu, não pode ser.»
- Então este aqui por baixo não é tu? E o outro não é uma avestruz, Zé? Ficas bem nas fotografias, olha aqui a tua carinha, que nítida.»
- «É pá isso é uma montagem, tens de acreditar em mim, Sousa.»
- «Então tenho que acreditar em ti ou na avestruz, pá?»
- «Essa gaja sempre me pareceu falsa.»
O Zé desfez-se. Desatou a chorar. Nem precisei de lhe dizer que a avestruz era um macho e um dos meus melhores agentes.
- «Ó Zé o que é que tu tens andado a fazer?»
- «Sabes que eu sempre gostei de animais…»
- «Não me faças perder tempo, quero lá saber da tua paixão pela cadelinha Laica, ou pensavas que eu não sabia, o que eu quero saber é o que é que tu andaste a fazer com o raio dos caracóis, pá, e quero saber já!»
- «É pá não posso, sabes o que a gaja me faz se me apanha, nem quero pensar nisso e já estou sozinho contigo há muito tempo, deixa-me ir.»
- «Zé, sabes que eu sou teu amigo e não ligo a estas coisas com as avestruzes e as cadelas, mas se calhar vou ter que mandar este álbum de família para a imprensa e tu disso não havia de gostar. Vais despejar o saco e vais já ou pensavas que eu te deixava ir para casa comer o resto do cianeto de potássio que sobrou do caracol que estava preso?»
- «Tu sabes disso? Foi a gaja, pá, foi a gaja…» - Chorava e soluçava, tirei-o de casa pela porta das traseiras, levei-o para uma sala onde estavam à espera dele.
Voltei para a festa.
- «O Zé?» - perguntou a mãe do menino.
- «Iogurte a mais, foi vomitar.»
Não acreditou mas também não entrou em pânico.
O Zé tinha criado um antídoto para a alteração dos orégãos.
Por outro lado tinha andado a fazer experiências com funcho, que é a comida preferida dos caracóis herbívoros e obtivera variedades que os punham loucos.
Ou seja provocava a catástrofe de novo.
Tinha sido por obediência cega à rapariga, que o tinha feito embeiçar-se por uma galinha modificada que trabalhava para ela.

