Sunday, December 25, 2005
Iogurte com sabor a Morango e Caracóis VIII. A Resistência.
Depois da instalação resolvi dar uma volta de exploração.
Na entrada para o esgoto ao pé da aldeia dos macacos estava preso um pedaço de saco de plástico amarelo.
No dia anterior era azul.
Sobrevive-se no mundo dos caracóis por se estar atento.
Fugi dali e voltei para casa.
Abstive-me de comunicar o facto à minha companheira de abrigo.
Não sabia o que pensar.
Podia ser perigoso encontrar desconhecidos.
Será que os caracóis começavam a usar truques humanos?
Será que os caracóis tinham domesticado seres humanos e os tinham colocado ao seu serviço?
De qualquer modo tinha de arriscar. Nem eu nem a rapariga percebíamos nada de partos e claramente íamos precisar de ajuda.
No dia seguinte o plástico era encarnado.
Aproximei-me da tampa do esgoto com cuidado. Olhei à volta: Não se via corninhos de caracol nas imediações.
Levantei a tampa do esgoto e entrei no escuro.
Desci uma escada e de repente acendeu-se uma luz.
Um letreiro em néon piscava: «Bem-vindo à resistência humana anti-caracol» e ao lado uma tabuleta mal pintada, tirada de alguma tasca antecatastrófica rezava sarcástica: «Hoje há caracóis».
Senti-me levantado pelos pés por um cabo e fiquei de cabeça para baixo.
Um tipo com uma máscara de esqui preta na cara e um facalhão nas mãos chegou ao pé de mim e perguntou-me:
- «Estás pronto para te submeteres a provas?»
- «Estou» - respondi.
Soltou-me e fez-me sentar a uma mesa onde colocou uma imperial e um pires de caracóis.
- «Come!».
- Era um teste de fidelidade, se comesse caracóis era porque ainda era humano e era digno de confiança.
Eram ao natural, cozidos só com orégãos. Foi com saudade daquele gostinho, foi com raiva ao pensar no que eles tinham feito à minha espécie, à minha família, aos meus amigos. Ataquei os caracóis com garra e comi tudo.
A imperial deixei-a estar até que o membro da resistência ma apontou com o dedo à espera que eu cumprisse a minha obrigação.
Estava morta. Nada que se comparasse a uma boa dose de iogurte de sabor a morango, mas não me parecia que houvesse ali.
O da máscara atou-me as mãos atrás das costas e conduziu-me com gentileza para outra sala, onde estava mais meia dúzia de mascarados.
«O que é que te levou a vir morar para a cidade e a trazer uma mulher para a aldeia dos macacos?» - perguntou-me o que estava sentado no meio.
Lá contei a minha história, sem omitir nada, nem gravidez nem massacre à espera dos marcianos, nada.
«OK – disse-me ele – vamos tratar disso.»
«Aqui o Zé era veterinário antes da caracolização, há de ter assistido a alguns partos.»
O Zé interveio para dizer que era basicamente partos de animais, mas que se dava um jeito.
Virgílio era como se chamava o chefe.
Levei-o à Aldeia dos Macacos para que a rapariga o conhecesse e ficasse à vontade com ele no caso de me acontecer alguma coisa.
Na entrada para o esgoto ao pé da aldeia dos macacos estava preso um pedaço de saco de plástico amarelo.
No dia anterior era azul.
Sobrevive-se no mundo dos caracóis por se estar atento.
Fugi dali e voltei para casa.
Abstive-me de comunicar o facto à minha companheira de abrigo.
Não sabia o que pensar.
Podia ser perigoso encontrar desconhecidos.
Será que os caracóis começavam a usar truques humanos?
Será que os caracóis tinham domesticado seres humanos e os tinham colocado ao seu serviço?
De qualquer modo tinha de arriscar. Nem eu nem a rapariga percebíamos nada de partos e claramente íamos precisar de ajuda.
No dia seguinte o plástico era encarnado.
Aproximei-me da tampa do esgoto com cuidado. Olhei à volta: Não se via corninhos de caracol nas imediações.
Levantei a tampa do esgoto e entrei no escuro.
Desci uma escada e de repente acendeu-se uma luz.
Um letreiro em néon piscava: «Bem-vindo à resistência humana anti-caracol» e ao lado uma tabuleta mal pintada, tirada de alguma tasca antecatastrófica rezava sarcástica: «Hoje há caracóis».
Senti-me levantado pelos pés por um cabo e fiquei de cabeça para baixo.
Um tipo com uma máscara de esqui preta na cara e um facalhão nas mãos chegou ao pé de mim e perguntou-me:
- «Estás pronto para te submeteres a provas?»
- «Estou» - respondi.
Soltou-me e fez-me sentar a uma mesa onde colocou uma imperial e um pires de caracóis.
- «Come!».
- Era um teste de fidelidade, se comesse caracóis era porque ainda era humano e era digno de confiança.
Eram ao natural, cozidos só com orégãos. Foi com saudade daquele gostinho, foi com raiva ao pensar no que eles tinham feito à minha espécie, à minha família, aos meus amigos. Ataquei os caracóis com garra e comi tudo.
A imperial deixei-a estar até que o membro da resistência ma apontou com o dedo à espera que eu cumprisse a minha obrigação.
Estava morta. Nada que se comparasse a uma boa dose de iogurte de sabor a morango, mas não me parecia que houvesse ali.
O da máscara atou-me as mãos atrás das costas e conduziu-me com gentileza para outra sala, onde estava mais meia dúzia de mascarados.
«O que é que te levou a vir morar para a cidade e a trazer uma mulher para a aldeia dos macacos?» - perguntou-me o que estava sentado no meio.
Lá contei a minha história, sem omitir nada, nem gravidez nem massacre à espera dos marcianos, nada.
«OK – disse-me ele – vamos tratar disso.»
«Aqui o Zé era veterinário antes da caracolização, há de ter assistido a alguns partos.»
O Zé interveio para dizer que era basicamente partos de animais, mas que se dava um jeito.
Virgílio era como se chamava o chefe.
Levei-o à Aldeia dos Macacos para que a rapariga o conhecesse e ficasse à vontade com ele no caso de me acontecer alguma coisa.
Comments:
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A prova da terra, a prova da água... antecedendo a luz. A propósito, a rapariga está quase a dar à luz! Meu Deus! Quase deixava escapar este episódio!
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