Friday, December 23, 2005
Iogurte com Morango e Caracóis VI. Sobreviver.
Sem bigode, com umas roupas novas que encontrei na secção de roupa de senhora e lavadinha não parecia tão grotesca como de manhã.
«Sentes-te melhor?»
«É esta raiva cá dentro. Mas estou melhor, as caracoletas fizeram-nos sofrer, pagaram o que me fizeram.»
«Como é que vais fazer com o bebé?»
«Vou tê-lo, não sei é como.»
O problema agora continuava a ser o da sobrevivência.
Se já era difícil nas condições em que eu vivia, debaixo dos amieiros, junto ao rio, com uma mulher grávida e posteriormente com um bebé o local era impossível.
O supermercado podia servir por uns tempos, mas mais tarde ou mais cedo o nosso esconderijo seria descoberto.
Enquanto reflectia deixei a rapariga no supermercado e voltei para o meu refúgio habitual. Não queria que algum passante ficasse intrigado pela minha ausência e se pusesse a investigar.
Tratava-se de descobrir um refúgio mais abrigado, um lugar mais fixo, onde uma criança pudesse nascer, procurar cuidados médicos e manter o sigilo sobre a existência de uma mulher no planeta e da possibilidade de a espécie humana continuar a propagar-se.
Andei nisto cerca de uma semana, de noite voltava por momentos ao supermercado e verificava se estava tudo bem. Aparentemente estava.
Havia uma certa revolta na rapariga pelas condições em que engravidara e o seu estado de fraqueza devido à fome não era dos melhores, mas como se costuma dizer, a própria gravidez curava esses males, os do corpo e os da alma.
«Sentes-te melhor?»
«É esta raiva cá dentro. Mas estou melhor, as caracoletas fizeram-nos sofrer, pagaram o que me fizeram.»
«Como é que vais fazer com o bebé?»
«Vou tê-lo, não sei é como.»
O problema agora continuava a ser o da sobrevivência.
Se já era difícil nas condições em que eu vivia, debaixo dos amieiros, junto ao rio, com uma mulher grávida e posteriormente com um bebé o local era impossível.
O supermercado podia servir por uns tempos, mas mais tarde ou mais cedo o nosso esconderijo seria descoberto.
Enquanto reflectia deixei a rapariga no supermercado e voltei para o meu refúgio habitual. Não queria que algum passante ficasse intrigado pela minha ausência e se pusesse a investigar.
Tratava-se de descobrir um refúgio mais abrigado, um lugar mais fixo, onde uma criança pudesse nascer, procurar cuidados médicos e manter o sigilo sobre a existência de uma mulher no planeta e da possibilidade de a espécie humana continuar a propagar-se.
Andei nisto cerca de uma semana, de noite voltava por momentos ao supermercado e verificava se estava tudo bem. Aparentemente estava.
Havia uma certa revolta na rapariga pelas condições em que engravidara e o seu estado de fraqueza devido à fome não era dos melhores, mas como se costuma dizer, a própria gravidez curava esses males, os do corpo e os da alma.
Comments:
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Estamos a falar de Maria de Belém (não a ex-ministra, claro, a outra, a casta esposa de José...) neste tempo de Natal? Que impressionante semelhança!
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