Monday, December 12, 2005

 

Explosão Solar

A explosão solar é o começo.

Quente, muito quente. A consciência agita-se e procura acordar de modo a poder fugir do calor.
Este abranda à medida que acordo com um sorriso.
Estou a suar ainda mas o calor da explosão tornou-se um suave amornar da minha preguiça.

Fome, talvez.

À medida que o Universo se expande vou vendo o que me falta, a água do chuveiro a percorrer-me o corpo, o cheiro do café fresco e matinal, os planetas que se formam e rodeiam o Sol numa curiosidade distante, as laranjas a crescer nos pomares, as cores a formar-se, do violeta ao encarnado gritam que querem ser vistas e alegrar os tempos que ainda estão em formação.

Continua a explodir mas agora mais devagar.

Morning has broken, like the first morning.
E vejo os pássaros e os outros animais, o pavão exibe o seu arco solar, os peixes olham através da água e pedem-me que os acompanhe.
A Deusa passa e atrás dela as flores e as ervas crescem.
Deixa um rasto de perfume que inebria e leva com ele os corações dos homens.
Ardem de um fogo com forma de espada.
Apagam o desejo na água fria do mar em que mergulham à procura dos tesouros dos navios naufragados.

E acalma-se.

Deita-se a repousar, os deuses foram servidos, estão contentes, caem benesses sobre os homens.
Não mais a angústia, a opressão.
Até outro dia.

Comments:
E tudo isto à nossa disposição. Em cada manhã. Há quem acorde de olhos fechados e não sinta nem na pele o quente nem nos olhos a luz nem na boca o sabor. Mas isso não interessa, porque isso é dum mundo que já acabou. Agora, todas as manhãs são uma explosão: de luz, de chuva, de nevoeiro, de rio ou de música. A forma é acidental, a explosão é o facto essencial.
 
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