Monday, December 26, 2005

 

E de repente um raio de Sol no meu telemóvel

O Pai Natal do mundo subaquático desloca-se num trenó puxado por focas que são animais domésticos.

Os animais domésticos são as aves raras deste Verão quente.

O Pai Natal relevou-se ser afinal um criador de borboletas com o terrível vício de comer bichos-da-seda, trajando de vermelho para caçar essas frágeis criaturas que assim vestido o confundem com a Alice no País das Maravilhas e a sua velha mania de consumir quilómetros de carris de coca!
Criaturas pobres de espírito a quem nunca chegam os presentes de Natal e que fomentam o consumo das drogas e defendem a Alice
.

Claro que a bela Alice já explicou diversas vezes à comunidade dos bichos-da-seda quem é o seu principal inimigo mas eles não acreditam nela… concluo que andam todos enganados e é por isso mesmo que aumenta o consumo das drogas, porque ninguém vê um palmo à frente dos olhos!

Alice? Talvez uma rapariga que entrevi no meio do fumo do meu cigarro. Mas eu não fumo. Talvez uma sombra de si mesma enrolada em seda, em colunas de fogo?

Os varredores de sonhos escondem a memória dos nossos sonhos como se não os tivéssemos vivido, como se não os tivéssemos sonhado, como se a vida fosse apenas uma recordação de um deus esquecido.

Os anjos cobrem a cidade com o seu hálito fresco e o adejar distraído das suas asas negras.
De manhã cedo apenas as cinzas claras denunciam a sua ausência.

E de repente um raio de Sol no meu telemóvel.

(Natureza Morta tem o prazer de anunciar a preciosa contribuição de um novo colaborador deste Blog, de seu nome próprio em itálico)

Comments:
EStes telemóveis da novíssima geração são assim: têm raios de sol. Mas são imprevisíveis. Nunca se sabe quando. Claro que depende da nossa vontade, mas a nossa vontade nunca se sabe quando. Nem quanto. Prefiro os antigos. Põem-se ao sol e temos o raio de sol sempre que quisermos. Sem itálico.
 
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