Friday, November 11, 2005
O Buraco, a Tragédia
Andaram umas horas.
Lentamente a vegetação ia aparecendo e tornando-se menos esparsa à medida que caminhavam para Norte.
Perto do meio da tarde chegaram ao acampamento dos homens mal encarados.
O acampamento vivia momentos de grande agitação.
Os homens de caras pesadas partiam e chegavam em pequenos grupos.
As mulheres punham um ar desesperado, algumas choravam mesmo.
Pouco a pouco apercebeu-se que procuravam alguém que estava perdido.
A certa altura um grupo de homens aproximou-se a correr e ao chegar perto do acampamento começou a gritar.
Todos se lhes dirigiram.
Um curto diálogo e as mulheres que choravam começaram, a gritar.
Formou-se uma pequena multidão que correu atrás do grupo de chegara com as más notícias.
Seguiu-os. Pouco depois chegaram a um silvado.
Uma mulher aproximou-se e começou a regar as plantas com herbicida.
À medida que o recuo das silvas permitia ver o que estava no seu meio uma mancha de cor ia aparecendo e ganhando forma.
O corpo mutilado de uma menina era colocado por caules de silva numa posição grotesca. Um ramo particularmente vicioso agarrara-se-lhe á garganta e quase lhe separara a cabeça do tronco.
A visão era tão imunda que todos, homens e mulheres se calaram.
Depois, sem qualquer combinação prévia mas quase ao mesmo tempo lançaram-se sobre as silvas e começaram a arrancá-las com ódio.
Com paus, com facas e foices, com as próprias mãos.
As silvas riam-se escarninhas. Enterravam-se cada vez mais no ventre duro do solo e escondiam-se desta forma da fúria das pessoas.
Finalmente retiraram o corpo da menina.
Uma coisa estranha naquele planeta estranho de dois sóis e árvores falantes era o quase dimorfismo sexual.
Os homens eram verdadeiros monstros (não no sentido lunar do termo mas no vulgar), as mulheres seres de outro planeta propriamente ditos.
A menina morta tinha sido um ser particularmente bonito. Teria cinco anos pelos nossos padrões. Algo na maneira como estava vestida distinguia-a das outras meninas que agora via.
Deveria ser alguém importante ou a filha de alguém importante.
A sua empatia com os vegetais do planeta diminuiu consideravelmente, e o efeito que esperava conseguir com a sua carga de salmão iria ficar pelo menos adiado.
Lentamente a vegetação ia aparecendo e tornando-se menos esparsa à medida que caminhavam para Norte.
Perto do meio da tarde chegaram ao acampamento dos homens mal encarados.
O acampamento vivia momentos de grande agitação.
Os homens de caras pesadas partiam e chegavam em pequenos grupos.
As mulheres punham um ar desesperado, algumas choravam mesmo.
Pouco a pouco apercebeu-se que procuravam alguém que estava perdido.
A certa altura um grupo de homens aproximou-se a correr e ao chegar perto do acampamento começou a gritar.
Todos se lhes dirigiram.
Um curto diálogo e as mulheres que choravam começaram, a gritar.
Formou-se uma pequena multidão que correu atrás do grupo de chegara com as más notícias.
Seguiu-os. Pouco depois chegaram a um silvado.
Uma mulher aproximou-se e começou a regar as plantas com herbicida.
À medida que o recuo das silvas permitia ver o que estava no seu meio uma mancha de cor ia aparecendo e ganhando forma.
O corpo mutilado de uma menina era colocado por caules de silva numa posição grotesca. Um ramo particularmente vicioso agarrara-se-lhe á garganta e quase lhe separara a cabeça do tronco.
A visão era tão imunda que todos, homens e mulheres se calaram.
Depois, sem qualquer combinação prévia mas quase ao mesmo tempo lançaram-se sobre as silvas e começaram a arrancá-las com ódio.
Com paus, com facas e foices, com as próprias mãos.
As silvas riam-se escarninhas. Enterravam-se cada vez mais no ventre duro do solo e escondiam-se desta forma da fúria das pessoas.
Finalmente retiraram o corpo da menina.
Uma coisa estranha naquele planeta estranho de dois sóis e árvores falantes era o quase dimorfismo sexual.
Os homens eram verdadeiros monstros (não no sentido lunar do termo mas no vulgar), as mulheres seres de outro planeta propriamente ditos.
A menina morta tinha sido um ser particularmente bonito. Teria cinco anos pelos nossos padrões. Algo na maneira como estava vestida distinguia-a das outras meninas que agora via.
Deveria ser alguém importante ou a filha de alguém importante.
A sua empatia com os vegetais do planeta diminuiu consideravelmente, e o efeito que esperava conseguir com a sua carga de salmão iria ficar pelo menos adiado.
