Wednesday, November 16, 2005
O Buraco. Partir em busca do Cabalista.
É daquelas coisas mais fáceis de dizer que de fazer.
Tempos e regimes políticos houve em que uma mera lista telefónica era considerada um segredo de estado.
Depois começaram a aparecer directórios, páginas amarelas, hoje motores de busca.
Mas tentem procurar cabalistas na Net. É difícil. Aparece quase tudo mas cabalistas é difícil. E depois não se trata de encontrar um cabalista mas de encontrar o cabalista certo.
O mais prático era entrar num buraco junto de uma cabine telefónica e procurar na lista. Assim fez. Entrou num buraco do centro comercial ao lado de uma cabine telefónica, procurou a lista sob «O Cabalista Certo» e encontrou um número (também tratando-se de Cabala o difícil seria não encontrar um número).
Ligou para lá e atendeu uma senhora de idade (na realidade todas as senhoras têm idade, mas só a algumas é reconhecido esse privilégio). Que não, que era a filha, que o pai já tinha falecido e tinha doado os planos do mecanismo dos buracos a uma associação de caridade.
A associação de caridade tinha achado que os planos eram importantes demais para ficarem na sua sede e decidiu guardá-los num banco suíço. Levavam os planos em sigilo para a Suíça quando o avião em que seguiam se despenhou no mar. Os sobreviventes estiveram vários dias numa jangada à deriva e tinham sido obrigados a comer os planos para sobreviver.
Não havia cópias e o disco do computador em que tinham estado guardados tinha sido atirado da borda do mundo fora por um discóbolo voador que o farejara durante uma tempestade.
Resumindo, não havia planos em lado nenhum.
O transporte de peixes vivos parecia-lhe difícil nessas circunstâncias. Além de que não tinha a certeza de haver mar no planeta dos dois sóis.
Teve então a ideia de levar animais de mais de duas pernas consigo. Talvez já tivesse passado o período das interdições religiosas do seu consumo.
Regressado à Terra natal dirigiu-se a uma quinta e comprou duas cabras e um bode.
Achou que era o máximo que podia transportar consigo de uma vez e teriam de ser transportados de uma vez para terem qualquer hipótese de serem coevos no planeta dos dois sóis, dada a instabilidade do tempo nas viagens.
Dirigiu-se ao buraco, que agora ficava no meio de um largo medieval (apertadinho como qualquer largo medieval) e por isso ninguém estranhou que um homem vestido com umas roupas esquisitas trouxesse com ele aqueles animais.
Entrou no buraco e procurou os comandos. Quando os encontrou digitou transporte de animais vivos. Surgiu-lhe a referência “Projecto Noé”, que lhe permitiu abrir um espaço onde colocou as cabras e o bode.
Digitou então planeta dos dois sóis e viu-se novamente na cidade, no centro comercial do costume.
Uma série de mulheres com ar blasé passeavam os respectivos Cro Magnon em frente à montras.
Fingiu que andava a passear os cães e confiou em que aquela gente não soubesse distinguir cães e cabras (aliás não havia nem uma coisa nem outra no planeta), no que teve sucesso, conseguindo chegar ao Palácio Real sem problemas.
Foi recebido por uma jovem com um tailleur discreto que trazia uma miniatura da máquina de traduzir na lapela do casaco. Que estava já à sua espera pois que uma profecia antiga ditava a sua vinda para aquele dia, só que mais cedo.
O Conselho das Ministras reunira-se já para o receber e tinha instruções precisas a dar sobre o destino dos animais.
Tempos e regimes políticos houve em que uma mera lista telefónica era considerada um segredo de estado.
Depois começaram a aparecer directórios, páginas amarelas, hoje motores de busca.
Mas tentem procurar cabalistas na Net. É difícil. Aparece quase tudo mas cabalistas é difícil. E depois não se trata de encontrar um cabalista mas de encontrar o cabalista certo.
O mais prático era entrar num buraco junto de uma cabine telefónica e procurar na lista. Assim fez. Entrou num buraco do centro comercial ao lado de uma cabine telefónica, procurou a lista sob «O Cabalista Certo» e encontrou um número (também tratando-se de Cabala o difícil seria não encontrar um número).
Ligou para lá e atendeu uma senhora de idade (na realidade todas as senhoras têm idade, mas só a algumas é reconhecido esse privilégio). Que não, que era a filha, que o pai já tinha falecido e tinha doado os planos do mecanismo dos buracos a uma associação de caridade.
A associação de caridade tinha achado que os planos eram importantes demais para ficarem na sua sede e decidiu guardá-los num banco suíço. Levavam os planos em sigilo para a Suíça quando o avião em que seguiam se despenhou no mar. Os sobreviventes estiveram vários dias numa jangada à deriva e tinham sido obrigados a comer os planos para sobreviver.
Não havia cópias e o disco do computador em que tinham estado guardados tinha sido atirado da borda do mundo fora por um discóbolo voador que o farejara durante uma tempestade.
Resumindo, não havia planos em lado nenhum.
O transporte de peixes vivos parecia-lhe difícil nessas circunstâncias. Além de que não tinha a certeza de haver mar no planeta dos dois sóis.
Teve então a ideia de levar animais de mais de duas pernas consigo. Talvez já tivesse passado o período das interdições religiosas do seu consumo.
Regressado à Terra natal dirigiu-se a uma quinta e comprou duas cabras e um bode.
Achou que era o máximo que podia transportar consigo de uma vez e teriam de ser transportados de uma vez para terem qualquer hipótese de serem coevos no planeta dos dois sóis, dada a instabilidade do tempo nas viagens.
Dirigiu-se ao buraco, que agora ficava no meio de um largo medieval (apertadinho como qualquer largo medieval) e por isso ninguém estranhou que um homem vestido com umas roupas esquisitas trouxesse com ele aqueles animais.
Entrou no buraco e procurou os comandos. Quando os encontrou digitou transporte de animais vivos. Surgiu-lhe a referência “Projecto Noé”, que lhe permitiu abrir um espaço onde colocou as cabras e o bode.
Digitou então planeta dos dois sóis e viu-se novamente na cidade, no centro comercial do costume.
Uma série de mulheres com ar blasé passeavam os respectivos Cro Magnon em frente à montras.
Fingiu que andava a passear os cães e confiou em que aquela gente não soubesse distinguir cães e cabras (aliás não havia nem uma coisa nem outra no planeta), no que teve sucesso, conseguindo chegar ao Palácio Real sem problemas.
Foi recebido por uma jovem com um tailleur discreto que trazia uma miniatura da máquina de traduzir na lapela do casaco. Que estava já à sua espera pois que uma profecia antiga ditava a sua vinda para aquele dia, só que mais cedo.
O Conselho das Ministras reunira-se já para o receber e tinha instruções precisas a dar sobre o destino dos animais.
Comments:
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Devias ter passado primeiro com a tua personagem pela Janela do Capítulo do Convento de Cristo de Tomar. A Janela do Capítulo é a Cabala ensinada às Crianças. Está lá tudo. Podia evitar-lhe muitos posteriores dissabores e proporcionar-lhe muitos posteriores sabores. Mas pronto, é "porque tinha de ser assim"...
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