Monday, November 14, 2005
O Buraco, a Origem
Desta vez caiu no átrio de um centro comercial, na Cidade, num canteiro de areia onde os duas pernas mantinham prisioneira uma palmeira.
Ao vê-lo cair vários homens se ajoelharam e olharam para si e para os bacalhaus secos como se observassem um milagre enquanto gritavam “bacalau!”.
Atentos os antecedentes fundamentalistas daquela gente decidiu desatar a fugir a correr.
Só parou quando teve a certeza de que ninguém o perseguia, nessa altura procurou com calma o palácio da Rainha, o que não foi difícil dado que era o edifício mais alto da cidade.
Bateu à porta e as guardas olharam-no com um ar espantado, mas deixaram-no entrar como se estivessem já à sua espera.
Uma conselheira da Rainha acorreu a falar consigo. Trazia com ela a máquina de traduzir, fez-lhe grande festa e levou-o de imediato à Rainha.
Com surpresa verificou que esta não era a mesma pessoa do dia anterior e que aliás não reconhecia nenhuma das conselheiras presentes.
Teve medo de se ter enganado no Palácio e ia pedir desculpa e retirar-se quando a Rainha, a quem a conselheira entregara a máquina de traduzir, lhe pediu que esperasse um pouco.
Mais descansado ficou mais um pouco a falar do tempo e de outras miudezas e a certa altura arriscou e perguntou se estava no sítio certo.
Todas elas se riram e a Rainha disse-lhe que segundo as crónicas cada vez que chegava com uma carga de bacalhau perguntava o mesmo.
Já acontecera o mesmo no tempo da sua mãe e da sua avó.
Pelos vistos o buraco do centro comercial era um buraco de repetição.
Já voltara diversas vezes com cargas de bacalhau embora das outras vezes tivesse ido parar a uma câmara secreta no Palácio.
Por isso quando os homens mal-encarados o tinham visto no centro comercial tinham ficado espantados e tinham assumido naturalmente que se tratava de um memorável fenómeno de magia.
Provavelmente desta vez saíra fora do aparelho de repetição, pelo que poderia voltar a ter memória da viagem.
Os buracos eram criação de um antigo cabalista que tivera de fugir do seu planeta para salvar a pele de uns tipos maldosos que a queriam colher antecipadamente, eram tubos transmissores de energia que faziam funcionar as cinco dimensões, as do espaço, o tempo e a imaginação.
Ao ser introduzido num buraco era precisamente a energia da imaginação que permitia ao viajante ser transportado através das outras dimensões e recolher-se a outro mundo. Como o cabalista não tivera muito tempo para aperfeiçoar a máquina esta tinha uma ligeira descompensação que tornava sempre incerto o onde e o quando as coisas aconteciam, o que aliás dava um certo sabor picante às viagens entremundos.
Perguntou se afinal gostavam do bacalhau.
Que gostavam muito e que o comiam com batatas temperado com azeite.
Ao vê-lo cair vários homens se ajoelharam e olharam para si e para os bacalhaus secos como se observassem um milagre enquanto gritavam “bacalau!”.
Atentos os antecedentes fundamentalistas daquela gente decidiu desatar a fugir a correr.
Só parou quando teve a certeza de que ninguém o perseguia, nessa altura procurou com calma o palácio da Rainha, o que não foi difícil dado que era o edifício mais alto da cidade.
Bateu à porta e as guardas olharam-no com um ar espantado, mas deixaram-no entrar como se estivessem já à sua espera.
Uma conselheira da Rainha acorreu a falar consigo. Trazia com ela a máquina de traduzir, fez-lhe grande festa e levou-o de imediato à Rainha.
Com surpresa verificou que esta não era a mesma pessoa do dia anterior e que aliás não reconhecia nenhuma das conselheiras presentes.
Teve medo de se ter enganado no Palácio e ia pedir desculpa e retirar-se quando a Rainha, a quem a conselheira entregara a máquina de traduzir, lhe pediu que esperasse um pouco.
Mais descansado ficou mais um pouco a falar do tempo e de outras miudezas e a certa altura arriscou e perguntou se estava no sítio certo.
Todas elas se riram e a Rainha disse-lhe que segundo as crónicas cada vez que chegava com uma carga de bacalhau perguntava o mesmo.
Já acontecera o mesmo no tempo da sua mãe e da sua avó.
Pelos vistos o buraco do centro comercial era um buraco de repetição.
Já voltara diversas vezes com cargas de bacalhau embora das outras vezes tivesse ido parar a uma câmara secreta no Palácio.
Por isso quando os homens mal-encarados o tinham visto no centro comercial tinham ficado espantados e tinham assumido naturalmente que se tratava de um memorável fenómeno de magia.
Provavelmente desta vez saíra fora do aparelho de repetição, pelo que poderia voltar a ter memória da viagem.
Os buracos eram criação de um antigo cabalista que tivera de fugir do seu planeta para salvar a pele de uns tipos maldosos que a queriam colher antecipadamente, eram tubos transmissores de energia que faziam funcionar as cinco dimensões, as do espaço, o tempo e a imaginação.
Ao ser introduzido num buraco era precisamente a energia da imaginação que permitia ao viajante ser transportado através das outras dimensões e recolher-se a outro mundo. Como o cabalista não tivera muito tempo para aperfeiçoar a máquina esta tinha uma ligeira descompensação que tornava sempre incerto o onde e o quando as coisas aconteciam, o que aliás dava um certo sabor picante às viagens entremundos.
Perguntou se afinal gostavam do bacalhau.
Que gostavam muito e que o comiam com batatas temperado com azeite.
Comments:
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Eis uma excelente exemplificação do mito do eterno retorno.
Quanto ao site, não o recomendo a quem não tenha ainda almoçado.
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