Sunday, November 13, 2005
O Buraco, a Epopeia do Bacalhau
Estava na altura de regressar à Terra e trazer de facto uns fardos de bacalhau.
Prometeu que vinha já na volta do correio e perguntou à conselheira como é que chegava ao buraco.
Ela disse-lhe que não se afligisse porque havia buracos por todo o lado, ele tinha é tido azar até então, se saísse do palácio e fosse até ao centro comercial mais próximo havia de encontrar um junto da bilheteira do cinema.
Não era ainda a altura de fazer mais perguntas, de inquirir o que elas sabiam sobre os buracos e os seus construtores (teriam sido os antigos egípcios, os sumérios, alguma seita evangélica, os marcianos?), ou porque não usavam elas os buracos no sentido contrário.
Seguiu as instruções e foi até à bilheteira do cinema, onde verificou que os filmes em exibição eram a preto e branco. Pediu licença para passar a um grupo que olhava embevecido um televisor a cores (que presumia que não lhes iria ser de uma utilidade especial) e entrou pelo buraco abaixo para subir até ao buraco de onde partira na Terra.
Mais uma vez estava tudo diferente. As casas tinham um ar moderníssimo mas o ar estava instável, assim como se estivesse no epicentro de um tremor de ar. À medida que a sua vista alcançava mais longe tudo lhe parecia não só mais distante como mais atrasado. Isto gerava um movimento ondulatório do tipo que se tem quando se tem uns óculos de lentes grossas e se olha meio por dentro meio por fora deles.
Saiu e começou a percorrer a rua à procura de uma loja onde pudesse comprar bacalhau.
Acabou por a encontrar no que lhe parecia ser já o início do século XX, um merceeiro careca, de lápis atrás da orelha mesmo junto ao canto do sorriso melífluo, mangas da camisa às riscas atadas com ligas um pouco acima do cotovelo, hálito a alho.
O problema era que o dinheiro que trazia consigo mais uma vez ali não valia nada.
Negociou o relógio com o merceeiro em troca de todo o bacalhau que lhe pareceu ser capaz de levar às costas. A si não lhe fazia falta nenhuma e ao merceeiro era capaz de lhe dar jeito para atravessar a rua.
Começou a andar na direcção do buraco com a sua carga às costas.
As coisas começaram a ficar complicadas. De cada vez que dava um passo este tinha metade do comprimento do anterior. Assim nunca mais iria conseguir chegar lá.
Se não era exactamente isso era uma coisa parecida, cada passo que dava durava o dobro do tempo em relação ao anterior, o efeito era o mesmo.
Uma jovem tartaruga que caminhava ao seu lado parecia-lhe ter o mesmo problema.
Acabou por conseguir resolver o problema saltando para o estribo de um carro eléctrico que passava no local. Como não havia paragem ao pé do buraco deixou-se simplesmente cair para dentro dele com a sua carga do precioso peixe.
Do outro lado o tombo foi valente, foi como se caísse da altura da janela de um rés-do-chão bem alimentado. Felizmente o terreno era mole.
Prometeu que vinha já na volta do correio e perguntou à conselheira como é que chegava ao buraco.
Ela disse-lhe que não se afligisse porque havia buracos por todo o lado, ele tinha é tido azar até então, se saísse do palácio e fosse até ao centro comercial mais próximo havia de encontrar um junto da bilheteira do cinema.
Não era ainda a altura de fazer mais perguntas, de inquirir o que elas sabiam sobre os buracos e os seus construtores (teriam sido os antigos egípcios, os sumérios, alguma seita evangélica, os marcianos?), ou porque não usavam elas os buracos no sentido contrário.
Seguiu as instruções e foi até à bilheteira do cinema, onde verificou que os filmes em exibição eram a preto e branco. Pediu licença para passar a um grupo que olhava embevecido um televisor a cores (que presumia que não lhes iria ser de uma utilidade especial) e entrou pelo buraco abaixo para subir até ao buraco de onde partira na Terra.
Mais uma vez estava tudo diferente. As casas tinham um ar moderníssimo mas o ar estava instável, assim como se estivesse no epicentro de um tremor de ar. À medida que a sua vista alcançava mais longe tudo lhe parecia não só mais distante como mais atrasado. Isto gerava um movimento ondulatório do tipo que se tem quando se tem uns óculos de lentes grossas e se olha meio por dentro meio por fora deles.
Saiu e começou a percorrer a rua à procura de uma loja onde pudesse comprar bacalhau.
Acabou por a encontrar no que lhe parecia ser já o início do século XX, um merceeiro careca, de lápis atrás da orelha mesmo junto ao canto do sorriso melífluo, mangas da camisa às riscas atadas com ligas um pouco acima do cotovelo, hálito a alho.
O problema era que o dinheiro que trazia consigo mais uma vez ali não valia nada.
Negociou o relógio com o merceeiro em troca de todo o bacalhau que lhe pareceu ser capaz de levar às costas. A si não lhe fazia falta nenhuma e ao merceeiro era capaz de lhe dar jeito para atravessar a rua.
Começou a andar na direcção do buraco com a sua carga às costas.
As coisas começaram a ficar complicadas. De cada vez que dava um passo este tinha metade do comprimento do anterior. Assim nunca mais iria conseguir chegar lá.
Se não era exactamente isso era uma coisa parecida, cada passo que dava durava o dobro do tempo em relação ao anterior, o efeito era o mesmo.
Uma jovem tartaruga que caminhava ao seu lado parecia-lhe ter o mesmo problema.
Acabou por conseguir resolver o problema saltando para o estribo de um carro eléctrico que passava no local. Como não havia paragem ao pé do buraco deixou-se simplesmente cair para dentro dele com a sua carga do precioso peixe.
Do outro lado o tombo foi valente, foi como se caísse da altura da janela de um rés-do-chão bem alimentado. Felizmente o terreno era mole.
Comments:
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A piada está em que os peixes a bem dizer em questões de pernas são só uma perna.
Mira bem no tubarão tigre, fecha os olhos, lembra-te da Marylin Monroe no Bus Stop.
Aí tens o Jaws...
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Mira bem no tubarão tigre, fecha os olhos, lembra-te da Marylin Monroe no Bus Stop.
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