Tuesday, November 08, 2005
O Buraco, Continuação
A resposta saiu de imediato: um não com ar horrorizado.
Tinha de ser.
É claro que é muito mau começar o relacionamento entre duas civilizações alienígenas com uma mentira, mas que é que podia fazer?
Podia dizer-lhes que até aí o ar suplicante das batatas no prato o deixara indiferente, que os gritos de socorro das cenouras baby prestes a ser retalhadas não o comovia, que as pilhas de rabanetes como crânios cortados à vida em rama apenas lhe inspiravam apetite?
Que na Terra só comemos peixe.
- «Peixe? Que é peixe? Tem uma ou duas pernas?»
- «Peixe, bom, a bem dizer peixe é peixe, vive na água e não tem pernas, melhor, todo ele é uma perna, mas não é como vocês, tem escamas e boca.»
As árvores resolveram então levá-lo ao Rei Olmo.
Um estrangeiro com duas pernas que não come os seres de uma só perna.
Um estrangeiro que come uma coisa de que nunca ouvimos falar, «peixe».
Pode ser a solução para os nossos problemas.
O Rei pensou, buscou apoio no seu conselho, na sua maior parte constituído por arbustos odoríferos, e tomou uma resolução.
Condecorou o estrangeiro e nomeou-o embaixador junto dos de duas pernas (esperando sinceramente que estes lhe dessem tempo para falar antes de o comerem).
Comovido com a honra que lhe prestava o Rei Olmo pensou num plano para abordar os de duas pernas.
Decidiu voltar à terra e buscar uns presentes para lhes oferecer assim que chegasse à fala com eles.
Desceu o buraco, que agora lhe começava a parecer um poço, e subiu em direcção à Terra.
Encontrou-se na mesma rua em que encontrara o buraco, mas agora era dia claro.
Ao sair do poço reparou que os prédios tinham uma cor diferente da que tinham tido no dia anterior, as mulheres usavam xaile e os homens chapéu.
Achou estranho, e o rapaz que o atendeu na mercearia também achou estranho vê-lo sem chapéu mas não disse nada.
Pediu uma caixa de latas de sardinha e voltou para o buraco.
Tinha de ser.
É claro que é muito mau começar o relacionamento entre duas civilizações alienígenas com uma mentira, mas que é que podia fazer?
Podia dizer-lhes que até aí o ar suplicante das batatas no prato o deixara indiferente, que os gritos de socorro das cenouras baby prestes a ser retalhadas não o comovia, que as pilhas de rabanetes como crânios cortados à vida em rama apenas lhe inspiravam apetite?
Que na Terra só comemos peixe.
- «Peixe? Que é peixe? Tem uma ou duas pernas?»
- «Peixe, bom, a bem dizer peixe é peixe, vive na água e não tem pernas, melhor, todo ele é uma perna, mas não é como vocês, tem escamas e boca.»
As árvores resolveram então levá-lo ao Rei Olmo.
Um estrangeiro com duas pernas que não come os seres de uma só perna.
Um estrangeiro que come uma coisa de que nunca ouvimos falar, «peixe».
Pode ser a solução para os nossos problemas.
O Rei pensou, buscou apoio no seu conselho, na sua maior parte constituído por arbustos odoríferos, e tomou uma resolução.
Condecorou o estrangeiro e nomeou-o embaixador junto dos de duas pernas (esperando sinceramente que estes lhe dessem tempo para falar antes de o comerem).
Comovido com a honra que lhe prestava o Rei Olmo pensou num plano para abordar os de duas pernas.
Decidiu voltar à terra e buscar uns presentes para lhes oferecer assim que chegasse à fala com eles.
Desceu o buraco, que agora lhe começava a parecer um poço, e subiu em direcção à Terra.
Encontrou-se na mesma rua em que encontrara o buraco, mas agora era dia claro.
Ao sair do poço reparou que os prédios tinham uma cor diferente da que tinham tido no dia anterior, as mulheres usavam xaile e os homens chapéu.
Achou estranho, e o rapaz que o atendeu na mercearia também achou estranho vê-lo sem chapéu mas não disse nada.
Pediu uma caixa de latas de sardinha e voltou para o buraco.
Comments:
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E no entanto o acto de comer, e até de devorar, pode ser uma cto de amor. Seres com uma, duas, nenhuma, ou infinitas pernas.
Ou a resposta para a eterna pergunta: Mas o que é que as centopeias passam a vida a fazer escondidas debaixo das pedras?
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