Saturday, November 05, 2005

 

Adriano e o Faraó

Capítulo VIII.
Episódio I
A reconciliação e o processo disciplinar.

Há poetas de vários feitios:

Os poetas graníticos, épicos, estrondosamente iluminados em catedrais góticas Strassburguianamente erigidas e decoradas, que enrocam em cataratas de cascalho a pedra bruta e lhe dão forma.

Os poetas mortos, marmóreos e plantados em jardim sem que os seus ramos dêem flores.
Os poetas de barro, da força viva do vinho tinto e dos sabores picantes.
Os delicados, de pedra polida, que procuram embelezar a beleza.
Os indelicados, basálticos, que procuram encaixotar a beleza.
E o poeta em construção? O do martelo pneumático que fura o mármore é procura da onda ideal para surfar a pedra?
E o poeta de pedra que diz à estátua para falar mas quando esta responde não ouve porque como é de pedra o poeta é surdo?

Tempo de ternura, tempo de reconciliação, Tó pede desculpa pelas suspeitas, Clarinha aceita-as de bom grado. Sol que nasce, mão na mão, boca na boca a ver os patos no lago do Campo Grande, e assim se vai o tempo e dos treinos da bola o Tó nem quer saber.
Pois se toda a sua vida está naquele momento que importa o futuro?
E é ela que lho lembra: ó Tó, e os treinos, o Clube?
- Tenho o telemóvel desligado, quero lá saber.
- Mas não podes, é a tua vida, liga para lá, dá-lhes uma desculpa e pede outra para ti.

Comments:
E há os poetas de plástico do Jardim dos Poetas de Plástico de Oeiras. Coitados dos poetas, que não têm culpa!
 
Esta parte foi tirada de um texto teu sobre esse jardim
 
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