Wednesday, November 02, 2005

 

Adriano e o Faraó

Capítulo VI.
Há sempre uma maneira.


Nessas ocasiões só se pode fazer uma de duas coisas: Ou se canta fado ou se desata aos palavrões e vai tudo raso.

O Tó desatou aos palavrões e decidiu esperar, que a vingança serve-se fria.

Pois!
Mal decidiu esperar apanhou o primeiro comboio para Lisboa.
Imagine-se a alma ferida, a fera enjaulada na carruagem da 2ª Classe, rodando o comboio, rodando como uma máquina de lavar roupa enlouquecida aquela cabeça febril, que maus pensamentos o assombram.

Mas lá no fundo que não, que não pode ser. A Clarinha?! Não a doce Clarinha, segredavam-lhe os carris. Que sim, está visto gritava-lha a paisagem da janela e assegurava-lhe a riqueza dos pormenores da carta.

Mas o que é que eu lhe faço? Prego-lhe um par de estalos e cuspo-lhe nos olhos?
E os sonhos, sim, esses, o andar para comprar, o casalinho de meninos a ter, o amor eterno, o que é que lhes faço?
A esses esmago-os como a ponta de um cigarro? A esses chamo-lhes tempo perdido? Parte da minha vida que não chegou a ser, ou antes que me foi roubada, uma parte de mim que me falta?

E que falta me faz!

Corre comboio, ligeiro, corre para o teu destino. E para o meu.

Comments:
E é tão fácil viver dentro de uma alucinação! Ou de meia dúzia.
E afinal... bastava sair do comboio!
 
Em andamento?
Uma vez que o comboio da vida começa a rolar qualquer tentativa de sair resulta numa queda aparatosa.
 
Além disso se ele saisse do comboio perdia-se a cena final.
Se não te portas bem acabo por não a publicar e ficas a ter que decidir tu o fim da história.
 
Então e a paragem de emergência?!
Lamento, vou continuar a portar-me mal, a tua historia é tão desafiadora que não consigo ser uma leitora passiva...
 
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