Tuesday, November 01, 2005
Adriano e o Faraó
Capítulo V.
Bento de Espinoza e o Pato Donald
Episódio II
Mas há aquelas tardes em que uma pessoa acorda cheia de culpa. De culpa e de desejo de voltar a sentir culpa, aquela culpa.
E depois que não, durante uns dias, mas a vontade a falar mais alto e a culpa a escapar-se por entre as grades da juventude e do sangue quente, a saltar barreiras como um atleta.
E que este fim-de-semana não posso ir que tenho exame para a semana e fico em casa a estudar e era mentira, pois que estudava mas era nos braços dele.
Não sabia o que tinha, era como um vício, não queria, fugia-lhe mas voltava lá.
E os fins-de-semana cada vez mais estudados e duas vidas a ensarilharem-se.
Duas porque a do Donald estava resolvida há muito tempo com a tal colega que fazia de ingénua e que não percebia até que apanhou a morada do Tó.
A verdade é como um castelo de cartas. Tirando uma vem tudo por ali abaixo. Quid est veritas? A quem serve? Quem lhe paga para estragar assim a vida das pessoas?
E existe mesmo uma verdade, uma coisa assim a modos que científica, a adequação do intelecto ao real?
Pode uma ficção tornar-se real apenas porque é descrita?
Uma descrição errada do real constitui uma realidade em si, evidentemente, mas uma realidade alternativa à real?
E será eticamente censurável a conduta da Clarinha, privada dos direitos da sua juventude por um amor ausente?
E a colega, ferida nos seus anseios de mulher pela lança do ciúme, será que pecou?
O Tó ao princípio nem quis perceber, mas a linguagem era clara, não havia maneira de não perceber.
Um frio enorme varreu-lhe o ventre, seguido de estupefacção e fúria.
Bento de Espinoza e o Pato Donald
Episódio II
Mas há aquelas tardes em que uma pessoa acorda cheia de culpa. De culpa e de desejo de voltar a sentir culpa, aquela culpa.
E depois que não, durante uns dias, mas a vontade a falar mais alto e a culpa a escapar-se por entre as grades da juventude e do sangue quente, a saltar barreiras como um atleta.
E que este fim-de-semana não posso ir que tenho exame para a semana e fico em casa a estudar e era mentira, pois que estudava mas era nos braços dele.
Não sabia o que tinha, era como um vício, não queria, fugia-lhe mas voltava lá.
E os fins-de-semana cada vez mais estudados e duas vidas a ensarilharem-se.
Duas porque a do Donald estava resolvida há muito tempo com a tal colega que fazia de ingénua e que não percebia até que apanhou a morada do Tó.
A verdade é como um castelo de cartas. Tirando uma vem tudo por ali abaixo. Quid est veritas? A quem serve? Quem lhe paga para estragar assim a vida das pessoas?
E existe mesmo uma verdade, uma coisa assim a modos que científica, a adequação do intelecto ao real?
Pode uma ficção tornar-se real apenas porque é descrita?
Uma descrição errada do real constitui uma realidade em si, evidentemente, mas uma realidade alternativa à real?
E será eticamente censurável a conduta da Clarinha, privada dos direitos da sua juventude por um amor ausente?
E a colega, ferida nos seus anseios de mulher pela lança do ciúme, será que pecou?
O Tó ao princípio nem quis perceber, mas a linguagem era clara, não havia maneira de não perceber.
Um frio enorme varreu-lhe o ventre, seguido de estupefacção e fúria.
Comments:
<< Home
A culpa funciona como um vício; há qualquer coisa de viciante nela, porque, como qualquer vício, oferece uma contrapartida. A culpa impede-me de ser livre; não sendo livre não sou responsável; não sendo responsável posso ficar aqui meio morto a respirar a meio gaz e a vida vai passando ao lado. Não há nada que não tenha uma contrapartida. E um preço. Mas isso é outra conversa.
Post a Comment
<< Home
