Friday, October 28, 2005
Um sorriso a preto e branco
E voltamos sempre à casa partida, à casa materna.
Nascemos e morremos.
Transformamos os bilhetes de eléctrico usados em folhas mortas que dançam o vento do Outono numa manhã de Sol antes que este nasça de dentro do ventre da sua mãe, a noite, como se Satie ainda percorresse as ruas de Paris a compor músicas que são mais para ser sonhadas que para ser tocadas.
Porque das notas pretas e brancas do piano nascem sonhos das mãos dos mágicos.
Era uma vez um piano.
Que fazia parte de um sonho.
E nesse sonho ouvia-se as Gnossiennes.
Mas o piano não tinha pianista que o sonhasse.
Por isso se quedava mudo.
À espera.
E o aromático lá do telefone naquela chamada fora de horas por que esperámos tanto que pensávamos que já não íamos ouvir confunde-se com o pão primeiro da manhã, em fornadas de Brad Mehldau, de Eric Satie, do tlim do 28, antes que o aspirador da vizinha de cima, os carros a passar na rua, se portem de tal maneira que tenhamos que os pôr na ordem e chamar-lhes música urbana, e acentuá-los em estilo rock and roll.
Porque os dias são transmutações. Do chumbo das manhãs pesadas ao ouro refinado das glórias das tardes de Sol.
Mudam-se-nos as células do corpo, muda-se-nos a música, aquela que vem de dentro, a do sorriso.
Muda-se-nos o sentir.
Como tocar um sorriso?
Em Sol maior?
Um sorriso de criança?
Um sorriso em tom menor, magoado, resignado?
Um sorriso sem ser por nada?
Um sorriso que já lá estava quando o dia nasceu?
Um sorriso de mãe?
Um sorriso que se transforma num beijo, ou num esgar de dor?
Um sorriso branco de leveza?
Um sorriso a preto e branco como as teclas de um piano.
Nascemos e morremos.
Transformamos os bilhetes de eléctrico usados em folhas mortas que dançam o vento do Outono numa manhã de Sol antes que este nasça de dentro do ventre da sua mãe, a noite, como se Satie ainda percorresse as ruas de Paris a compor músicas que são mais para ser sonhadas que para ser tocadas.
Porque das notas pretas e brancas do piano nascem sonhos das mãos dos mágicos.
Era uma vez um piano.
Que fazia parte de um sonho.
E nesse sonho ouvia-se as Gnossiennes.
Mas o piano não tinha pianista que o sonhasse.
Por isso se quedava mudo.
À espera.
E o aromático lá do telefone naquela chamada fora de horas por que esperámos tanto que pensávamos que já não íamos ouvir confunde-se com o pão primeiro da manhã, em fornadas de Brad Mehldau, de Eric Satie, do tlim do 28, antes que o aspirador da vizinha de cima, os carros a passar na rua, se portem de tal maneira que tenhamos que os pôr na ordem e chamar-lhes música urbana, e acentuá-los em estilo rock and roll.
Porque os dias são transmutações. Do chumbo das manhãs pesadas ao ouro refinado das glórias das tardes de Sol.
Mudam-se-nos as células do corpo, muda-se-nos a música, aquela que vem de dentro, a do sorriso.
Muda-se-nos o sentir.
Como tocar um sorriso?
Em Sol maior?
Um sorriso de criança?
Um sorriso em tom menor, magoado, resignado?
Um sorriso sem ser por nada?
Um sorriso que já lá estava quando o dia nasceu?
Um sorriso de mãe?
Um sorriso que se transforma num beijo, ou num esgar de dor?
Um sorriso branco de leveza?
Um sorriso a preto e branco como as teclas de um piano.
Comments:
<< Home
O sorriso já lá estava desde sempre; apenas não se vê no escuro. Acende-se a luz e o sorriso existe. É um atributo da luz.
Post a Comment
<< Home
