Friday, October 21, 2005

 

Um acabar suave

A rapariga do chapéu encarnado saiu nalguma paragem atrás e não dei pela sua saída, só agora vejo que o lugar na minha frente está vazio.
A sombra do indicador do relógio de sol foi surpreendida pela noite que entretanto chegou enquanto admirava extasiada a beleza do crepúsculo.
Aquele café na esquina da praça foi substituído por um banco. O banco serve café aos clientes mas não dei por nada, não é o meu banco.
Que é feito das tílias do parque? Devem ter saído no Verão e só agora que é Outono reparo na sua ausência.
A memória afastou-se de mim, esqueceu-me.

Comments:
A rapariga do chapéu encarnado já um pouco desbotado anda agora a correr atrás das folhas amarelecidas das tílias. Deixou de beber café e de olhar para o relógio. Agora acaba de pousar o chapéu sobre uma sebe. Já não usa chapéu. A rapariga do chapéu encarnado tem agora um vestido cor de tília e olha o rio pelos intervalos dos cabelos ao vento. Ela está só a olhar o rio.
 
Post a Comment

<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?