Friday, October 28, 2005

 

Ir lá fora cá dentro.

Entras e na primeira circunvolução à direita encontras uma tatuagem a dizer amor de mãe, sem data nem Guiné incluídas. O mote está dado, continuas, como se estivesses a ver quadros numa exposição e encontras um monte de fraldas, que é uma das coisas principais que nos sobram da infância.
A escola, em que os professores ensinavam em negativo. Desenhavam pedaços vibrantes de vento com giz branco em quadros pretos que nós copiávamos em papéis brancos com tinta preta.
O Cat Stevens e as raparigas de olhos doces que tinham ainda muito tempo à sua frente para se tornarem amargos.
A praia, já viste que belo é este quadro, fixado entre a “Cabana de Baba Iaga” e o “Castelo”? O calor, o Sol, as raparigas aí já tinham os olhos mais amargos, mas em contrapartida as formas mais acentuadas.
Segues a vida, encontras a dor, o amor, às vezes tudo junto e não necessariamente por esta ordem. Começas a coleccionar coisas, selos, borboletas, tampas de garrafa, tampas da vida, empregos, amigos e desamigos.
Um dia é o teu aniversário, encontras estas coisas todas arrumadas no sótão do cérebro e apetece-te mergulhar no rio do esquecimento, atravessar de margem a margem e começar de novo.
Só que mais velho.

Comments:
Os olhos continuam doces; as características do objecto observado dependem muito do observador...
dizem os físicos modernos, n'est-ce-pas?
 
Comecei a usar óculos aos sete anos de idade. Foi na escola e na altura era por causa da miopia.
Hoje além da miopia já tenho astigmatismo, presbiopia e amargura.

Conheces essa maravilhosa criação dos anos 70 (calças à boca de sino, Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath)que foi "Fritz the Cat"?
 
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