Friday, October 21, 2005
Domingo
| É Domingo e os meninos jogam à bola nos relvados da manhã. Os pais olham o rio com ar ausente, como se o rio não estivesse lá, como se a vida ainda estivesse no mesmo sítio, como se a rapariga do chapéu encarnado não tivesse passeado o balançar das ancas agarrada a um cão por uma trela há tantos anos atrás. Os barcos quedam impávidos, como se fossem sempre o mesmo barco a olhar-me do meio do Rio com aquele olhar de partida, como se não tivessem já partido, como se eu não estivesse de facto a ver a sua memória. A rapariga do chapéu-de-chuva não o fechou, apesar de ter parado de chover. Haverá talvez um tecto de esperança na parte de dentro da tela. Talvez haja também um tecto de esperança no quadro da menina que corre, uma maçã na mão cheia de pecados que ainda não cometeu, na tela em que o pintor a tornou sempre hoje apesar do fluir do tempo. |
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Agradeço-te "o tecto de esperança" que vi hoje nas nuvens negras sobre o rio. Às vezes, a esperança veste-se de negro e molhado.
Abraço
R
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Abraço
R
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