Tuesday, October 11, 2005

 

Das gaivotas,dos caracóis e do Zen

Bom, o problema é que desde que a conspiração das gaivotas foi revelada (ando a ler umas coisas inspiradas por comedores compulsivos de iogurte de morango) a mudez dos caracóis não deixa de gerar perplexidades.

Por exemplo o meu amigo Terêncio, que bebe aos caracóis como desculpa para se empanturrar de cerveja começou a achar estranho o seu arrastar voraz (quando vivos) e vai daí formulou umas teorias meio filosóficas meio vagamente religiosas, entrou de ler umas coisas do Paulo Coelho e zás de se perder em contemplações do infinito pausadamente em frente a pires de caracóis e imperiais de preferência em sítios quentes para alargar a sede (o futebol é um desporto de Inverno, o caracol é um desporto de Verão).

De vez em quando alguém o aborda: «Mestre, o que é o Zen?», ou «Vai mais uma imperial?» e a sua resposta varia conforme o grau de sabedoria do consulente:
Aos do Zen convida-os a sentar-se e a oferecer-lhe uma imperial e um pires de caracóis e a meditar em silêncio junto de si.
Aos da proposta manda-os esperar que chegue um dos outros.

Como a mente humana é atrevida e por mais imperiais que se beba nunca se chega verdadeiramente ao Nirvana, um dos temas que me comunicou foi o da complacência dos caracóis em relação à raça humana (cfr. A Guerra dos Mundos, H. G. Wells, num cinema perto de si se não tiver paciência para ler o livro).
Agarrou-se a esse sujeito de meditação e ainda lá está desde Junho.
Por mim continuo agarrado à dieta de iogurte de morango parece-me ser um caminho mais directo para a ciência.

Comments:
Para se chegar ao nirvana é sempre necessário beber mais uma cerveja (apenas mais uma) para além do limite...
 
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