Thursday, September 29, 2005

 

Manhã

Manhã.
Fome.
Fazer um café, dar de comer ao gato, comer uma taça de all bran, vestir a roupa de correr, visitar o nascer do Sol e as sombras que se alongam a partir de nós cada vez mais curtas.
Sono.
Levantar de um salto, espantar a preguiça, activar os músculos, correr até as pernas se lembrarem do que fizeram ontem e respirar, ritmadamente, ½, ½, ½, ¼, arquejar.
Cumprimentar o Sol sem o olhar directamente, seria indelicado. Arredar as memórias sombrias, os fantasmas que dormem connosco à espera de um momento de desatenção para nos devorarem a alma com o seu apetite de sofrimento, os fantasmas que morrem com as primeiras luzes.
Trabalho.
Atarraxar o rabo à cadeira, ouvir o Lago dos Cisnes, dobrar o corpo sobre o computador, segredar-lhe coisas belas com as mãos ligeiras. Ir para a sala do teatro ouvir histórias.



Comments:
OLhar o rio que esta manhã se esconde, mas apenas dos olhares que são os outros. Ele sabe que eu, apesar da nelina com que se cobre, o vejo, o adivinho, e nele mergulho. O rio é o meu primeiro duche e luxo em cada dia.
 
Eu moro pelo menos durante grande parte da minha vida numa casa submersa. Respiro por guelras nessa altura. É durante a noite, quando toda a gente julga que estou a dormir. Fujo para lá e tenho uma vida paralela, melhor um pouco que a do costume.
às vezes sou apanhado e batem-me com caudas de peixe na cara para acordar. Mas é tão bom olhar pela janela e ver as barbatanas a ondular, os olhos grandes a olhar para mim, curiosos, as cores, ai as cores...
Mergulho nelas e pairo dentro da água, sinto as suaves correntes que me acariciam e esqueço.
 
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